conferência

3ª RDIT — Paisagem: Métrica e estética

3ª Conferência do 3º Ciclo de Conferências Abertas: Representações, Desenhos e Imagens do Território, 2022.

  • 9 Maio 2022
  • 6:00 PM
  • Auditório Pavilhão Sul da FBAUP

No âmbito da 3ª edição (2022) do Ciclo de Conferências Abertas da UC InovPed “Representações, Desenhos e Imagens do Território”, uma iniciativa dos Departamentos de Desenho (FBAUP), Geografia (FLUP) e Engenharia Civil (FEUP), e do Projeto de Investigação DRAWinU, sediado no i2ADS e com financiamento FCT, apresentamos a 3ª conferência deste ciclo, com o apoio Santander Universidades.

Luís Paulo Saldanha Martins apresenta
Helder Marques.

A paisagem é uma entidade ontologicamente diferente da natureza. Só em parte dela deriva, mas é, no essencial, uma construção ou reconstrução resultante do pensamento humano. A natureza é, em si, sincrética, enquanto a paisagem só existe pela mediação humana que lhe confere, a partir dos sentidos e da cultura, ordem, desordem ou emoção.

As paisagens não são a realidade, mas apenas a imagem formatada e conceptualizada dela. Uma paisagem também não é um território, porque este incorpora invisibilidades e movimentos que não têm forma. A paisagem não. Podemos perscrutar nela bastantes coisas do ponto de vista heurístico, mas não temos como não ficar por aqui.

A paisagem não é apropriável do ponto de vista disciplinar. Não se deixa escrutinar por visões pretensamente holísticas, porque encerra e incorpora uma métrica e uma estética.

As paisagens são esteticamente qualificáveis e, embora nela reine mais o caos que a ordem, podem ser repugnantes, agressivas, carregadas de fealdade, ou belas (no sentido clássico) e sublimes (Longino / Kant).

Não há paisagens iguais, porque mesmo que homólogas, são sempre irrepetíveis, ainda que possam ser tipificáveis. São invariavelmente compósitas, instáveis e fugidias, até porque as variáveis que a podem definir ou que a definiram, compareceram em tempos diferentes, ou assumiram modalidades distintas.

Mas também há paisagens invisíveis que respondem a desígnios não necessariamente consubstanciáveis, sobretudo aquelas que nunca vimos, nem que nunca existirão a não ser na liberdade criativa da nossa mente. A isso chama-se arte.

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Helder Trigo Gomes Marques é professor associado da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, instituição onde se
licenciou em Geografia em 1980. Obteve o grau de Mestre pela Universidade de Coimbra em 1985, com a dissertação «A região demarcada dos vinhos verdes, ensaio de geografia humana», obra que viria a constituir um dos eixos estruturantes do percurso científico do orador. Em 2000, com a tese «Modernidade e inovação na ruralidade do Noroeste de Portugal» obteve o grau de Doutor pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, reforçando a vocação pelo estudo dos, agora designados, territórios de baixa densidade. No seu percurso profissional destaca-se ainda, na gestão académica, a presidência do Departamento de Geografia e a Vice-presidência da Faculdade de Letras, enquanto na investigação e extensão universitárias a intervenção como membro da Associação Portuguesa de História da Vinha e do Vinho, bem como o envolvimento marcante em projetos de investigação do Departamento de Geografia, a exemplo do projeto «Território e dinâmicas urbanas: atlas das cidades do Norte de Portugal (ACINP)» ou «A revisão da lei eleitoral portuguesa: delimitação territorial de círculos uninominais de Candidatura», constituem referências incontornáveis do currículo do professor Helder Marques. Mais recentemente, orientou os domínios de investigação para a “dinâmica ecológica da paisagem”, em particular da “paisagem rural”, e para o património, enquanto componentes basilares do saber eclético do geógrafo e orador convidado.