UNTAKEN

Public Space, Back to Normality

Nas últimas duas décadas o debate em torno do espaço público tem sido dominado pela ascensão dos espaços ditos colectivos de iniciativa privada que, seguindo o modelo norte-americano, produziu um sem número de centros comerciais, condomínios privados ou parques temáticos. Paralelamente, o investimento no espaço público parece ter ficado refém de oportunidades pontuais que abdicaram de uma visão estratégica duradoura em prol da especulação, do imediatismo e do retorno fácil conseguido curto prazo. Expos 98, Euro 2004, ou os programas Polis, são a expressão da excepcionalidade urbanística que tentou superar (para não dizer ocultar) uma realidade quotidiana incapaz de se auto-regenerar. É disto exemplo a despovoação do interior, a decadência dos centros históricos das grandes cidades e o crescimento de um território periférico de forma aleatória, informal e insustentável.

Mais recentemente, o debate em torno de uma aparente virtualização do espaço público, fomentado pela globalização e dependência das redes sociais, poderá ter contribuído para acentuar o sentido de perda da importância deste espaço enquanto lugar físico de partilha e expressão social. Mas as mais recentes manifestações e revoltas que emergem um pouco por todo o lado (do Norte de África a Wallstreet) parecem querer dizer-nos o contrário: que a Ágora (espaço público privilegiado da discussão política mas também do comércio) continuará a fazer um sentido complementar, talvez porque desejamos acreditamos que a verdadeira “revolução não será televisionada” do mesmo modo que a verdadeira da crise não o é.

Na sessão Public Space: Back to Normality, procurar-se-á debater o espaço público no seu sentido mais perene e quotidiano, enquanto lugar democrático, acessível, de proximidade mas também radicalidade. O primeiro e último recurso que temos e que parece termos esquecido entre o espectáculo e o simulacro da incontornável representação pública.

Editor convidado: [Pedro Bandeira (Universidade do Minho)]