UNFUELED

The Potentiality of Media and its Shadows

A potência é talvez como uma sombra. Incorpórea e fugaz, projecta sobre as coisas uma presença capaz de agir sobre elas sem verdadeiramente lhes tocar. Sendo assim, a potência dos media definir-se-á tanto pela virtualidade da sua presença como pela actualidade dos seus efeitos.

Numa época em que os media parecem querer tomar conta do nosso quotidiano, fazendo da ubiquidade e da instantaneidade as suas marcas distintivas, importa pensar também essas outras modalidades de deslocalização e desaceleração dos media que permitem um confronto com a inevitabilidade dos seus usos.

Com este painel pretendemos dar continuidade ao debate sobre os mitos dos media e da mediação, sobre a sua capacidade de resiliência e obsolescência, sobre o modo, enfim, como a prática artística confronta produtivamente todos esses fantasmas. Trata-se não apenas de pensar a capacidade de resistência, desaceleração e reapropriação dos media face ao mainstream, mas também de lhes reconhecer qualidades quase homeopáticas.

Pense-se, por exemplo, na prática artística e na descoberta de novas formas de acção que integram essa potência dos media como modalidade de resistência, pense-se como a arte se mostra capaz de resistir à obsessão pela novidade tecnológica ou ao mito da transparência comunicacional, pense-se na dissolução daquilo a que um dia chamaram arte dos media, pense-se sobretudo como essa dissolução se vem mostrando produtiva para a própria sobrevivência crítica dos media da arte, do cinema ao vídeo, da arte das máquinas aos maquinismos da arte.