SINTOMAs e Efeitos Secundários — 2013

3 (FBAUP) e 4 (ESE/IPP) Maio 2013 Porto

 

Ora a verdadeira criatividade (que é sempre moderna e não tropeça
no medo das imitações) é sempre também geradora de instabilidade e
precisamente põe em causa a cidade, a casa, a parede, até ao escândalo
e até à crueldade muitas vezes. Precisamente para que tudo se reformule
polemicamente e de novo se recomece pavorosamente (sagradamente) a
estar-no-estar, a ser-no-ser…a aceleração das vanguardas é necessária e
explica-se por aí e não por uma pretensa procura de originalidade.

Ernesto de Sousa, Ser Moderno…em Portugal, Lisboa, Assírio & Alvim, 1998

A programação Sintomas e Efeitos Secundários nasce do desejo de partilhar a prática
artística nacional e internacional da arte da performance.
Com o objetivo fundamental de promover um intenso encontro convergente de dinâmicas
artísticas, num contexto intergeracional – os Sintomas, pretende também ser um espaço de
reflexão entre criadores, investigadores e o público – os Efeitos Secundários.

Sintomas e Efeitos Secundários surge de uma parceria entre o grupo SINTOMA|
performance, investigação e experimentação [Núcleo de Arte Intermédia do I2ADS
(FBAUP)] e da linha de investigação Educação Estética e Formação de Públicos para a Arte
Contemporânea [Núcleo Estudos Artísticos e do Património do InED (ESE/IPP)]. A construção
conjunta propõe uma mostra de projetos finais ou em curso, nos seus diferentes momentos
de consolidação do grupo SINTOMA e de criadores convidados, interposto com exposições
de trabalhos de investigação e conversas.
Sintomas e Efeitos Secundários quer desenhar um movimento que cruze a experimentação
artística e o pensamento sobre a performance radicada nas artes visuais e suas
problemáticas no âmbito da arte contemporânea.

Sintomas e Efeitos Secundários realiza-se durante dois dias em torno de três eixos
fundamentais: MOSTRAR – PENSAR – REGISTAR

MOSTRAR |Prevê-se a apresentação de ações nos espaços interiores e exteriores da FBAUP
e ESE/IPP com caráter site-specific. Além disso, realiza-se um núcleo de vídeoperformance
que pode surgir enquanto registo documental da performance, ou funcionando como objeto
singular que se exibe apenas mediante esse suporte videográfico.

PENSAR |De mãos dadas com a prática artística, as reflexões dos seus protagonistas são
fonte incontornável para a explicitação do conceber/pensar, agir/produzir, encaminhando
leituras e reconhecimentos para o público e não somente para os estudantes destas áreas.
Por um lado, carece acertarem-se “denominadores comuns” de um vocabulário implícito
(tanto quanto possa também ser explicitador), que viabilize e permita uma compreensão
(hermenêutica e epistemologicamente rigorosa). Importa promover a análise, decifração,
compreensão, interpretação… para que se ascenda ao “reconhecimento” por via da
disponibilidade mediante o “i-reconhecimento” que, com frequência, domina os públicos
para a arte (dita) contemporânea ou atual e, muito especificamente, a arte da performance.

REGISTAR |Este último núcleo temático propõe reavivar a produção histórica de eventos
e pensar as questões do registo da performance, seja recorrendo ao testemunho, seja por
meio da crítica, contando com a parceria do Mais Crítica | seminário de crítica de artes
performativas e dos estudantes de Mestrado em Estudos Artísticos da FBAUP. O exercício
da crítica supõe a ideia de perduração e corresponde a uma forma outra de registo. Por
trás da tarefa correspondente às etapas básicas de descrição/interpretação/avaliação, a
crítica permite a construção de uma reflexão complexa, intimamente ancorada nas ações
performativas apresentadas naquele espaço-tempo, contribuindo para uma abertura de
portas de acesso, de pensamento. Assim, os jovens críticos convidados, através da redação
em direto no próprio dia das ações, publicam os seus textos.
Por outro lado, a reposição de uma performance de Albuquerque Mendes, coordenada
pelo seu autor, coloca questões pertinentes que envolvem um acontecimento que recria o
original e, ao mesmo tempo, performatiza o documental.
Todo o evento será registado em vídeo e, posteriormente, editado numa versão sumária do
evento.

Pense-se nestes três eixos fundamentais | MOSTRAR – PENSAR – REGISTAR | enquanto
princípios comunicantes e cujas problemáticas se atravessam, baralhando-se nesta tripla-
função estruturante.
Sendo arte e vida, exigências de cultura e educação, cabe desempenhar o propugnado por
Ernesto de Sousa: “operador estético” através de ações/intervenções validadas por balizas
disciplinares, culturais, artísticas e educacionais.
Sintomas e Efeitos Secundários vem ativar as possibilidades de contaminação e troca de
experiências que, partindo da academia, estão abertas à comunidade, e são cúmplices de
uma prática que é, sobretudo, um processo.

Fátima Lambert, Rita Castro Neves e Rita Xavier Monteiro.

http://i2ads.up.pt/sintoma/
http://ined.ese.ipp.pt/

facebook/Sintoma
facebook/Sintomas E Efeitos Secundários

http://www.youtube.com/SINT0MA 

ORGANIZAÇÃO
SINTOMA | performance investigação experimentação [Núcleo de Arte Intermédia
do i2ADS (FBAUP)]
NEAP [Núcleo Estudos Artísticos e do Património do InED (ESE/IPP)]

Curadoria
Fátima Lambert | Rita Castro Neves | Rita Xavier Monteiro
Assessoria: Hernâni Reis Baptista e Mónica Lacerda.

PARCERIAS
Softcontrol . Technical Unconscious
UNIMAE_DAI/ESMAE/IPP / Mestrado Comunicação Audiovisual e Licenciatura
Tecnologia da Comunicação Audiovisual
Mais Crítica | seminário para críticos de artes performativas

Colaboradores: Bruno Moreira, Elisabete Ferreira, Joana Antunes, Joana Ferreira,
Jorge Araújo, Virgínia Claro (coord. Diana Cruz/ESE/IPP) e André Fonseca, Bruna
Besteiro, Dalila Vaz, Horácio Frutuoso, Hugo de Almeida Pinho, Maria Trabulo,
Rogério Ribeiro (Sintoma/FBAUP)
Design gráfico: Dário Cannatá

Maquilhadora Joana Oliveira
Registo e edição audiovisual: Catarina Gonçalves (FBAUP) | João Filipe Silva (MCA/
PRA), Ana Gravato, André Godinho, Daniela Costa, Inês Amaral, Inês Santos Moura,
Miguel Almeida Mónica Henriques, Pedro Rocha, Raquel Lemos, Sofia Gradim,
Teresa Silva (TCAV/ESMAE/IPP).