Seremos Capazes de Perguntar em Vez de Responder? A Educação Artística e as Suas Retóricas.

Por um lado, aquilo a que hoje chamamos arte contemporânea não existe nas escolas. Falamos sempre de uma espécie de fantasma, de um nome, que não é vazio, mas que tem dentro de si muitas outras coisas que nada têm que ver com a arte. A arte não são as manualidades, a arte não são as técnicas, a arte não são as expressividades, a arte não são as competências sociais, a arte não é o bem-estar, a arte não é a criatividade para o empreendedorismo, a arte não é terapia! A arte não é uma só coisa e é, em si, historicamente contraditória e complexa.

Por outro lado, os argumentos apresentados por investigadores, professores, profissionais no terreno em defesa das artes na educação têm-se desenvolvido a partir de uma retórica dos efeitos (ou seja, os supostos efeitos intrínsecos das artes). O que parece interessar é o que as artes fazem às crianças e aos jovens. Os argumentos apresentados têm-se desenvolvido, também, em volta da instrumentalização das artes (o que as artes servem aos outros saberes ou à produção de sujeitos dóceis e disciplinados, na sua versão contemporânea empreendedores e flexíveis, capazes de se adaptarem às demandas das políticas e dos mercados neoliberais).

Aquilo a que chamamos ‘arte’, que configura a educação artística no ensino formal, corresponde à apropriação de um nome e da aura que consigo transporta esse nome, mas a educação artística, no ensino formal está hoje ainda longe de se aproximar do artístico. Vou propor-vos olhar apenas para dois cenários, com o objectivo de tornar evidentes as alquimias curriculares e a instrumentalização das artes na educação.

Autor(es)
Ano 2018
Tipo Publicação em Actas
Publicação Livro de Atas do Congresso de Investigação em Educação Artística. A Educação Artística no Sistema de Ensino Português: Conquistas e Desafios.
Páginas 15-25
Editora IPV/ESEV
Local Viseu
Ed/Org Ana Souto e Melo
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