Que sentido para a investigação em educação artística senão como prática política?

RESUMO

Este artigo procura colocar a investigação em educação artística como um espaço performativo, de resistência, que implica relações estreitas entre a teoria e a prática. Procuraremos abrir a discussão no sentido de questionar as relações de poder e de saber que enformam os processos de subjetivação no campo da educação artística desde a modernidade e que configuram o tempo pre- sente. O enfoque tomado não se revê na tentativa de devolver uma imagem unificada de um sujeito que se devesse reencontrar com um «eu» ou colocar os outros em contacto com uma huma- nidade perdida. Muito pelo contrário, o espaço de resistência que se propõe, na ação-investigação (ato político de transformação), implica a suspensão do presente, no sentido de se inventarem outros devires, sem com isso se fechar o limite do por vir. À primeira vista distante de um pensa- mento sobre educação artística, a discussão que se abre visa, precisamente, o questionamento daquilo que se vem designando por educação artística e a investigação que aí se aloja, começando por questionar as plataformas de partida que se instalaram como naturais a este campo e que con- trolam a produção do discurso. O espaço de resistência de que se fala não é definível, mas é uma forma de acontecer, necessariamente performativa. Que a teoria está no mundo e fabrica o próprio mundo parece ser hoje aceite com serenidade, mas o que fazer se pensarmos que os espaços de liberdade que julgamos construir são, simultaneamente, espaços de limitação daquilo que é visto, pensado e agido?

 

Palavras-chave: investigação, educação artística, resistência, performatividade, política

Ano 2013
Tipo Artigo em jornal com revisão por pares
Publicação Educação, Sociedade & Culturas, 40
Páginas 15-29
Editora CIIE/Edições Afrontamento
ISBN / ISSN ISSN: 0872-7643
Idioma Português
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