Pensar a pintura através da prática do desenho

Na história da arte é visível a relação favorecida entre o desenho e a pintura apesar da compreensão do potencial isolado de cada uma das práticas. Contudo, a relação entre o desenho e a pintura está normalmente associada a dois momentos distintos da construção de objetos: o desenho, importante na estrutura e estudo, e a pintura como processo ilustrativo. O estudo separado de ambas as práticas permite perceber aspetos específicos e aspetos transversais, comuns às duas. Ao desenho são atribuídas capacidades de evidenciar de modo mais imediato e rigoroso características subjetivas do autor, aludindo a domínios da perceção e emoção, resultado de um contacto mais próximo entre o artista e o suporte, nem sempre acessível através da pintura, apesar dos esforços de alguns artistas e movimentos, nomeadamente, o Expressionismo Abstrato. O desenho regista o ato do fazer de modo mais correto e concreto do que a pintura, captando o gesto, a pressão, a tensão, o pulsar do autor: registando. Na pintura, o mais comum é a alusão. O registo pressupõe a presença da experiência perceptiva, enquanto a alusão é mais racional, eventualmente, menos honesta. Percebe-se que a tentativa de aludir a este conhecimento involuntário leve a que muitos artistas procurem compreender esta relação entre o corpo e o desenho, mesmo quando se trata de pintores. Assim, alguns pintores desenvolvem o seu trabalho pictórico como se de desenho se tratasse, ou eventualmente fazem desenho com rosto de pintura. Os casos mais conhecidos serão Jackson Pollock e Cy Twombly, sendo de destacar em Portugal o trajeto de João Queiroz. O objetivo deste exercício é compreender como através da prática do desenho se desenvolve um trajeto sólido em pintura e de que modo esta opção enriquece a pintura e vice-versa.

Autor(es)
Ano 2014
Tipo Publicação em Actas
Publicação Desenho na Universidade Hoje. Encontro Internacional de Desenho, Imagem e Investigação.
Páginas 339-344
Editora FBAUP / I2ADS, FAUP E EAUM
Local Porto
Ed/Org Paulo Luís Almeida, Miguel Bandeira Duarte e José Manuel Barbosa
ISBN / ISSN 978-989-97856-6-3
Idioma PT/EN
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