O lugar e o “viver-junto” – o projecto “Casa da Santa” e uma reflexão sobre a ideia de lugar na arte contemporânea

O artigo procura reflectir acerca do desenvolvimento de trabalhos artísticos que abordam a ideia de Lugar na arte contemporânea e sua relação com o conceito de “Viver Junto”, a partir principalmente do trabalho “Casa da Santa” desenvolvido pelo “Projeto Balbucio”, colectivo de artistas brasileiro, entre os anos de 2006 e 2007.

A ainda frequente utilização do termo site-especific ajuda a demonstrar como o Lugar tem sido um tema recorrente na produção artística. Ao longo dos anos, no entanto, é possível constatar uma certa banalização do uso do termo, o que conduziu à sua fragilidade e consequente generalização. Infelizmente, em muitos trabalhos dessa natureza, observa-se não o diálogo mais profundo entre artista, espaço e espectadores, mas sim uma reflexão superficial sobre a obra artística enquanto lugar autónomo, localizável no universo de outras referências artísticas e, “especial” por ser apresentada, normalmente, em um lugar qualquer diferente do museu.

Para um artista que pretende trabalhar com a ideia de Lugar é importante levar em conta as alterações que essa ideia sofreu. Essas alterações implicam que o artista assuma um papel mais participativo, e que reflicta sobre o modo como se posiciona e age com/no ambiente e em relação ao outro.

Artistas como Krzysztof Wodiczko, Beat Streuli, Heeswijk, Fernanda Fragateiro e grupos como o Oda Projesi e o Projeto Balbucio, entre outros, produziram trabalhos que exploram as potencialidades e abordam o lugar em que estão inseridos e são desenvolvidos. Neste artigo, destaco o trabalho “A Casa da Santa”, desenvolvido pelo “Projeto Balbucio”, colectivo de artistas do Brasil do qual faço parte.

Nos primeiros seis anos de actuação, o “Projeto Balbucio” apresentou mais de 30 trabalhos, entre actividades teóricas e práticas – intervenções urbanas, performances, instalações, happenings, seminários, palestras, exposição de filmes, oficinas… A maior parte deles realizados no bairro do Benfica, em Fortaleza, local onde funciona, além da Reitoria, boa parte dos cursos de Humanidades e Letras da universidade. Um espaço de intenso movimento de pessoas e ideias.

Este espaço foi tão importante para o grupo que, pelo mês de Junho de 2006, cinco integrantes arrendaram uma casa de três quartos, localizada na esquina do cruzamento entre as ruas Padre Miguelino e Senador Pompeu, no coração do Benfica. Alguns levaram todos os pertences para a nova casa, outros dividiam o tempo entre a casa dos pais e a do Balbucio.

A casa funcionava de “quartel-general” para as acções do grupo e também como um espaço de experimentação mais constante e intensa dos temas de pesquisa individual e colectiva do grupo. Um espaço que fosse ao mesmo tempo “ateliê, sala de reuniões, almoxarifado e espaços expositivos. E, sobretudo, um lar.

Essa casa transformou-se na “Casa da Santa”.

*Artigo apresentado em 13 de Outubro de 2011 na Second International Conference of Young Urban Researchers

Org:
Centre for Research and Studies in Sociology – Instituto Universitário de Lisboa (CIES-IUL); Centre for Studies in Sociology – Universidade Nova de Lisboa CesNova – FCSH-UNL; Institute of Sociology – Universidade do Porto (ISFLUP)

Autor(es)
Ano 2011
Tipo Publicação em Actas
Publicação Anais do SICYUrb – Second International Conference of Young Urban Researchers
Editora Centre for Research and Studies in Sociology (CIES-IUL); Centre for Studies in Sociology FCSH-UNL; Institute of Sociology (ISFLUP)
Local Instituto Universitário de Lisboa (CIES-IUL)
Idioma Português
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