O Impulso Caligráfico

“O gesto como elemento caracterizador de uma estrutura.
Entre a percepção háptica e a percepção óptica.

Em 1644, um médico londrino chamado John Bulwer dedicou um livro inteiramente aos gestos. O livro intitulava‑se Chirologia or the Natural Language of the Hand, e analisava a intermitência do interesse nos gestos como uma forma privilegiada de estabelecer uma relação directa entre a intenção e a acção do corpo. Para além da relativa indiferença pelos gestos na medicina que levou Bulwer a escrever sobre eles, o livro era o resultado da convicção que os gestos são sintomas dos modos pelos quais o nosso corpo naturalmente reencena os conteúdos da representação. Embora
a intenção original de Bulwer fosse o uso do gesto como um elemento deliberado numa situação social ou coreográfica, a sua intuição reflecte o papel dos gestos activados como resposta às imagens envolvidas nas práticas do desenho. Estas imagens não estão limitadas à modalidade da visão, mas ocorrem
como imagens tácteis, motoras, cinéticas ou auditivas, que podem ser voluntariamente convocadas pelo desenhador. Como sugere David Rosand, reivindicando a necessidade de uma nova crítica baseada nos actos do desenho (2002: 16), o desenho é um processo pelo qual as imagens são formuladas como projecções de um corpo que actua.(…)”

Autor(es) , (Ed / Org)
Editora FBAUP Publicações & ICBAS
Local Porto
Ano 2016
Idioma Português
Tipo Texto em catálogo
Publicação Imagens do Corpo Interior - Desenho no Museu Anatómico: Partilhas e Experiências Pedagógicas
Páginas 26-27
Editora FBAUP Publicações & ICBAS
Local Porto
Ed/Org Paulo Luís Almeida, Sílvia Simões
Idioma Português
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