Mono #1: Monodisperso

Esta publicação é a primeira  faceta visível da actividade que tem sido levada a cabo pelo nosso gabinete editorial. O projecto será continuado em 2012 pelo NAi, Núcleo de Arte e Intermedia.

A existência de uma publicação periódica é  um anseio antigo que agora queremos tornar  realidade. Esta revista quer afirmar a neces- sidade de um suporte teórico de discussão  em torno das áreas comummente designadas  como artes visuais, propondo-se abordar, de  forma alargada, as várias problemáticas que se  encontram presentes nas práticas das artes e  do design contemporâneos. Tal publicação tem,  portanto, que privilegiar uma condição de campo expandido para o tratamento dos assuntos  específicos. Só assim poderá apresentar-se  como verdadeiramente abrangente.

O título MONO adquire importância no âmbito  de uma publicação que quer reflectir a contem- poraneidade das artes visuais, antes de mais,  pela sua intrínseca ligação ao processo de produ- ção – mono é o volume/protótipo que é realizado  pelas tipografias para que o cliente verifique o  trabalho final. E, também, porque ao corporizar  a noção de uno como prefixo permite a edição  de números temáticos em torno da abordagem  que pretendemos ampla e múltipla. A opção por  esta estratégia não é inocente. Preferimos, à  pluralidade superficial das revistas, a unicidade  aprofundada de números temáticos que, no seu  todo, abranjam a multiplicidade desejada. Assim,  propomos para este número inicial a ideia de  MONOdisperso como tema aglutinante, e tam- bém como operação prospectiva dos territórios a  visitar nos próximos números.

Outra escolha para este primeiro número foi  a de recorrer apenas a convidados exteriores  à FBAUP, mapeando assim a intensa rede de  relações da instituição, ainda que parcialmente, e  sublinhando desde já a vocação internacional do  projecto e a importância dos fluxos que se fazem  de dentro para fora – mas sobretudo de fora para  dentro – para a produção de conhecimento.

Todos os números terão editores convidados  e uma política editorial de dupla condição: por  um lado, existirão os textos de convidados,  nacionais e estrangeiros; pelo outro, a hipótese  de publicação de textos submetidos por quem  considerar importante a sua colaboração numa  publicação deste tipo. Esta última é, contudo,  filtrada por um necessário processo de arbitra- gem que queremos rigoroso mas aberto.

A periodicidade semestral possibilita o  aprofundamento que desejamos – não é  possível comprimir mais o tempo – e mantém  uma relação de visibilidade que nos parece ser  desejável, isto é, dois números anuais de prefe- rência coincidentes com o início e meio do ano.  Contudo, estamos conscientes da necessidade  quase obsessiva, no nosso tempo, de operar  outras formas de visibilidade e outros modos de  relacionamento com o público, por isso estare- mos na internet através do site da MONO onde  se encontrarão todas as informações sobre  cada um dos números, os resumos dos textos,  bem como alguns artigos em versão integral e  disponíveis para download.

Um dos próximos números terá como tema a noção de  MONOstereo e contará com edição de Miguel  Carvalhais e Pedro Tudela.

Uma última palavra para agradecer a todos  aqueles que, desde já, nos deram a sua confiança e decidiram colaborar connosco neste novo  projecto, com a sua participação no conselho  científico, na edição gráfica, na produção, etc.

Índice:

  • 2. Notas introdutórias/Introductory Notes
  • 6. Bios
  • 12. Fragmentos dissonantes sobre práticas artísticas em tempos de dispersão, Fernando José Pereira
  • 17. A arte no tempo da sua dispersão concentrada, Miguel Leal
  • 22. Guerra urbana: Passar através das paredes, Eyal Weizman
  • 60. A caverna platónica: Construção metafórica e mecanismo de projecção, Susana Oliveira
  • 78. A obra de arte na época do ruído sem ruído: Primeiras anotações para um manifesto pela arte como guerrilha perceptiva,  Sérgio R. Basbaum
  • 90. Academy: The production of Subjectivity, Simon O’Sullivan
  • 98. O ambiente retiniano em Fra Angelico, Pedro Cabral Santo
  • 108. Some ingredients of some generative works, Lia
  • 120. Agradar-me-ia se estas imagens falassem do meu trabalho como a névoa  num espelho fala da respiração, Veit Stratman
  • 128. Is this tomorrow? New art made in the manga-society, Margrit Brehm
  • 139. L’heure de chance, Axel Heil
  • 148. Inevitabilidade e distanciamento (Gerhard Richter), David Santos
  • 158. Software Art Aesthetics, Andreas Broeckmann
  • 168. Estruturas triangulares na investigação em design: Convergência na dispersão, Rui Carlos Costa
  • 180. Tecnologías de la queja, Juan Martin Prada
  • 196. Entre o moderno e o contemporâneo: Arte brasileira nas fronteiras da identidade, Marcelo Campos
  • 212. Descontrol y anomalia Santiago Ortiz
  • 220. A crítica como invenção pura, Carlos Vidal
  • 230. Inside you can do it: Hans Haacke interviewed by Óscar Faria
  • 242. Ler nas entrelinhas: Para uma análise da web 2.0, Jorge Martins Rosa
  • 258. Recensões: Design e cultura visual, Mário Moura
  • 266. Resumos
  • 273. Abstracts
  • 280. Ficha técnica

Autor(es)
, (Ed / Org)
Editora FBAUP Publicações
Local Porto
Ano 2007
Idioma Português, English
Tipo Outro
Onde Comprar Loja UP