Mecanismos de contaminação entre o espaço pictórico e o espaço arquitectónico através da cor: experiência, intuição e erro

Esta comunicação surge no contexto da investigação em pintura que estou a desenvolver enquanto doutoranda em Arte e Design na FBAUP. Trata-se de uma pesquisa centrada na prática artística e consequente das questões essenciais do trabalho de pintura que desenvolvo, onde a cor, enquanto sujeito e experiência que ilude e que é volátil, é o elemento visual e expressivo protagonista de objetos de pintura que, de algum modo, se apropriam de elementos da arquitetura ou que assumem uma mais evidente qualidade arquitectónica. A cor é, efetivamente, assumida como determinante no processo criativo da pintura, capaz de transformar significativamente o espaço e o modo como o percepcionamos, seja o espaço representado na pintura ou o espaço criado pela pintura através da sua distensão para o espaço real. Pretendo explorar distintos mecanismos de contaminação entre as linguagens pictórica e arquitectónica, incorporando especificidades formais e estruturais da arquitetura em objetos que são sempre e primeiramente pintura. Na dicotomia entre espaço geométrico e espaço aberto da paisagem, ou na sua interação, existe um exercício de intertextualidade: a pintura cita a arquitetura, querendo igualmente sair dela própria através de uma expansão e derivação para um campo tridimensional, o que pode começar na definição do próprio suporte e no modo como este se relaciona com o espaço expositivo. Ao longo deste processo, evidencio dois aspectos essenciais da minha pintura: a intenção de seduzir e o aproveitamento de um processo de tentativa e erro para a construção da imagem. O elemento aglutinador destas duas questões é a cor, numa plataforma de aproveitamento efetivo e afetivo do erro, do problema e da incerteza, do uso da intuição e de um processo relacional para determinar resultados perceptivos, mediante um ciclo de pensamento/ação e informação/ transformação. Aqui enquadro a pintura e a sua necessidade: um fazer continuado serve-se dele mesmo para reinventar a criação pictórica.

Autor(es)
Ano 2014
Tipo Publicação em Actas
Publicação Conferência Internacional AND PAINTING?
Editora FBAUL_CIEBA
Local Lisboa
Ed/Org Isabel Sabino
Idioma Português
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