Investigações nas práticas educativas da arte

APRESENTAÇÃO

Este livro foi organizado com o objetivo de reunir as pesquisadores interessados nos processos que envolvem a formação do professor de Artes Visuais nos cursos de Licenciatura nas modalidades presenciais e semi-presenciais para analisar como e se eles se articulam a outros processos formadores de pessoalidades e inventividades que englobam as diversas práticas sociais em suas dimensões artísticas, estéticas, culturais e comunicacionais.

Para promover e intensificar os debates contamos com a participação do Grupo de Pesquisa de Processos Educativos em Arte- GEPEL, formado por pesquisadores com vínculo em distintas instituições de ensino com um interesse em comum, a investigação dos processos educativos na educação da arte, englobando as práticas sociais em suas diversas dimensões. Os objetivos privilegiados das pesquisas desenvolvidas pelo grupo são: linguagem e cultura, processos educativos da linguagem visual e das artes e novas linguagens comunicacionais na sociedade.

A seguir apresentamos a ordenação que fizemos desta publicação com o objetivo de ressaltar os diálogos, os interdiscursos e as complementaridades dos textos aqui apresentados. O que os reúne e os articula é o tema título desta coletânea Investigações e Processualidades nas práticas educativas da arte, entretanto os enfoques e os referenciais presentes nos artigos dos autores permitem o acompanhamento das diferenciadas possibilidades de investigações propostas pelos pesquisadores.

Reunidos na primeira parte – Investigações, críticas e proposições na Educação da Arte, estão os artigos que estruturados a partir de bases conceituais distintas, condi- zentes com as experiências de cada um na pesquisa e na docência, possuem como questão a preocupação com a educação da arte de modo geral, com reflexões e proposições advindas de uma prática investigativa permanente.

Numa proposta que elege a investigação como principio presente em todos os artigos e ainda, num movimento do mais geral ao mais especifico iniciamos com o artigo da pesquisadora Irene Tourinho. Nele os conceitos de pesquisa, imagens, ética, estética e método articulam-se com os princípios da abordagem qualitativa, sob a perspectiva da arte e da educação.

Na continuidade, apresentamos três textos realizados por pesquisadores dos estados de São Paulo e Minas Gerais, que tratam da formação do educador em arte e a escola como campo de investigação. Anamelia Bueno Buoro e Bia Costa querem descobrir qual o lugar das aulas de arte no ensino formal de algumas escolas públicas e par- ticulares paulistas, com o objetivo de evidenciar quais as necessidades atuais para uma formação acadêmica mais significativa dos professores. Ainda em São Paulo, Rosa Iavelberg e Rafaela Gabani Trindade, tem como objetivo verificar as aprendi- zagens em arte na formação inicial do pedagogo por intermédio da análise compa- rativa entre os conhecimentos prévios dos alunos no início, e os conhecimentos as- similados ao final de uma disciplina optativa do curso de Pedagogia, para investigar se a articulação entre essas experiências de aprendizagem na formação promovem a assimilação de conhecimentos novos substantivos à formação do educador em arte. No terceiro artigo, Eliane de Fátima Vieira Tinoco e Márcia Maria de Souza defendem a formação continuada do professor como possibilidade não só dele repensar a sua prática mas, a partir dela, propor a produção de material pedagógico.

Como elo articulador, ou numa pausa da temática da formação e das aulas de arte Adriana Magro lança um olhar sobre a significação dos espaços escolares, toman- do esse espaço como o seu objeto de investigação, para compreender como ele se apresenta visualmente e como os sujeitos interagem nele construindo um fazer interativo.

Os dois artigos seguintes possuem o desenho como interesse e foco. Rosa Iavelberg e Fernando Chui de Menezes partem de ideias oriundas de experiências com alunos de diferentes turmas adultas de desenho artístico, para incorporar conceitos relacio- nados ao tema no sentido de sinalizar a construção de um pensamento pedagógico sobre essa linguagem que, embora pouco discutida em seus métodos de ensino, permanece na base do aprendizado de artes visuais. Cesar Pereira Cola e Dianni Pereira de Oliveira têm como objetivo demonstrar as opções de se trabalhar Arte na infância, especificamente o desenho, com o intuito de contribuir para a percepção de ações e realizações em Artes, e do imediatismo de desenhar apressadamente sem refletir, ampliando para a criança a possibilidade de ver e rever seu próprio desenho.

A obra ou as obras de um artista constituem o tema investigativo dos dois artigos a seguir: Juliana de Souza Silva Almonfrey propõe uma reflexão sobre a série Objetos Semânticos do artista Cildo Meirelles, destacando nela a configuração de trabalhos formados pelo par objeto e linguagem. Nesta articulação do artista pela arte con- ceitual, aponta uma tendência em sua poética que gera questionamentos e desvios na “ordem” corrente das coisas, o que nos conduz a pensar sobre as possibilidades abertas pela presença da arte contemporânea na escola. Moema Martins Rebouças tem como proposta um percurso metodológico para que o professor de arte possa enfrentar o desafio que envolve a investigação dos processos de criação dos artistas a partir das obras. Toma como objeto de investigação a obra Signos do artista Dioní- sio Del Santo e como fundamentação a semiótica discursiva.

Finalizando, Ana Luiza Ruschel Nunes e Sandra Borsoi discutem sobre as concepções de lugar e lugares virtuais e apontam para a necessidade de aprofundar cada vez mais na contemporaneidade as representações das Artes Visuais, influenciadas pela velocidade dos avanços tecnológicos que possibilitam pensar lugares, não lu- gares e lugares virtuais, num processo colaborativo e investigativo em rede, da pro- dução poética das Artes Visuais e tecnologia.

Na segunda parte – Investigações e processualidades na Educação à Distância, estão os artigos que tratam dessa modalidade de ensino de Artes.

Começamos com a experiência do Curso de Licenciatura em Artes Visuais da Uni- versidade Federal do Rio Grande do Sul descrita por sua coordenadora, Umbelina Barreto. No artigo além da ênfase na formação em Artes, a autora relata o interesse no desenvolvimento da produção e criação plástica e digital.

A seguir, Lêda Guimarães, coordenadora do Curso de Artes Visuais da Universida- de Federal de Goiás apresenta embates conceituais, práticos e metodológicos no processo de conceber, propor o estágio curricular obrigatório como espaço de for- mação de caráter investigativo e exploratório. A coordenadora do Curso de Artes Visuais da Universidade Federal do Espírito Santo, Maria Gorete Dadalto Gonçalves, discute a formação do professor de artes na modalidade EAD e em que medida as tecnologias da informação podem contribuir para o aprendizado.

A seguir reunimos cinco artigos de professores da Faculdade de Artes Visuais da Universidade Federal de Goiás. No primeiro deles, Gisele Costa Ferreira da Silva aponta alguns pontos de reflexão que são freqüentes em seu cotidiano docente na procura por um maior entendimento sobre quem é esse/a aluno/a: (1) de onde vem esse/a aluno/a? (2) por que está aqui? (3) qual seu objetivo?

Noeli Batista dos Santos problematiza, por meio da escrita poética e da análise e compreensão de imagens, a dualidade entre os conceitos de corpo sensório e corpo abstrato, bem como seu sentido docente, reconfigurado nos ambientes virtuais de aprendizagem. A seguir Lílian Ucker aborda as trajetórias de aprendizagens dos alu- nos da FAV/EAD na disciplina de pesquisa em ensino de arte. Para este artigo, espe- cificamente organiza o texto em duas partes: ‘Um percurso e as múltiplas relações’, em que situa contextos e duas situações que influenciaram a maneira e os modos para pensar esta investigação e num segundo momento ‘A disciplina de pesquisa como campo para investigar as trajetórias’ em que apresenta o contexto da experi- ência narrada e algumas inquietações.

Valéria Fabiane Braga Cabral, apresenta um relato de investigação envolvendo alu- nos/as do Programa Pró-Licenciatura do curso de Licenciatura em Artes Visuais com o objetivo de refletir sobre as ações educativas em diálogo com as poéticas visuais contemporâneas e como essas vivências em espaços expositivos impactam e po- dem reconfigurar a prática docente desses (as) estudantes.Para concluir os artigos da UFG, o de Rogéria Eler tem como foco de investigação as imagens técnicas, analógicas e digitais, geradas, manipuladas e deslocadas por jovens inseridos no ambiente da Rede Mundial de Computadores, a internet, para a partir daí discutir a inserção do ciberespaço na socialização e formação de identidade. Nos diálogos estabelecidos a autora deixa uma inquietação, a saber: O que eu tenho a ver com as mídias no contexto da minha escola?

Para finalizar, os artigos dos professores da Universidade Federal do Espírito Santo, que atuam no Curso de Artes Visuais- Licenciatura na modalidade EAD. Andréia Chiari Lins, com um aporte teórico com fundamentos sócio históricos discute os conceitos de mediação; imagem e da formação da linguagem, memória e cultura; imagem como significação e linguagem visual.

Com o referencial na semiótica discursiva e sociosemiótica os dois artigos seguintes discutem as interações no ambiente virtual do curso e ainda as práticas ressignifi- cadas pelos alunos/as. Larissa Fabrício Zanin, com um corpus analítico composto por dois vídeos do curso de Licenciatura em Artes Visuais à Distância, da UFES, analisa essa multimídia como meio de aprendizagem, verificando, a partir de suas especificidades, como se dão os regimes de interação e sentido propostos por Eric Landowski.

Moema Martins Rebouças e Letícia Nassar Matos Mesquita analisam uma interação 10

feita em um Fórum da disciplina Estágio I, com o objetivo de apreender os professores” inscritos nesses discursos, suas apresentações de si, em uma anterioridade à da formação atual, e nesse movimento delinear as expectativas que têm para a disciplina Estágio.

Reunidos aqui, estes artigos cumprem um objetivo de a partir dessa publicação ampliarem os debates e cruzarem as fronteiras de nosso estado e de nossa instituição. Cumprem assim com o propósito de um Grupo de Pesquisa que é o de promover e divulgar o conhecimento. O GEPEL com a atual composição interisntitucional com coordenação na UFES e integrantes das universidades UFG, USP e UPG agradece ao Cnpq a continuidade da pesquisa, a Universidade Aberta do Brasil a destinação de recursos para esta publicação e a Editora da UFES a viabilização da mesma.

Vitória, 14 de maio de 2012

Moema Martins Rebouças Maria Gorete Dadalto Gonçalves


Editora Editora da universidade Federal do Espírito Santo (EDUFES)
Local Vitória
Ano 2013
ISBN / ISSN 978-85-7772-148-1
Idioma Português
Tipo Livro