Ensino do Desenho. Do atelier à rede.

Temos a intenção de trazer para a discussão alguns pontos-chave sobre pedagogia e pesquisa em ambientes mistos de ensino e aprendizagem do desenho no contexto das artes.

Prevendo que no contexto atual, os paradigmas de ensino terão de ser alterados, propomos apresentar algumas das vantagens do modelo misto de aprendizagem (b-learning), no contexto do ensino do desenho.

Entendendo que a disciplina do desenho, é um dos instrumentos possíveis para trabalhar as questões do projeto, objeto de estudo que tem um universo polissémico, diferenciado e subjetivo, verificamos que no campo de atuação do ensino e aprendizagem de uma disciplina desta natureza, o contributo das plataformas de ensino são uma forte ferramenta de trabalho. Pois ampliam as redes de partilha entre os estudantes, incentiva-os à autonomia na aprendizagem, aumentam as redes comuns de interesse que consequentemente favorecem o pensamento divergente e especulativo fundamental ao processo criativo.

Não elencamos o problema do ensino do desenho apenas a uma questão tecnológica, mas à necessidade pedagógica do próprio desenho, que sustenta a sua aprendizagem na prática, na cultura, na história das suas próprias imagens e na reflexão dos seus próprios sistemas e estratégias de representação.

Sendo território do ensino o campo ideal para testar e trabalhar estas dinâmicas, demonstraremos a partir de um estudo de caso realizado na F.B.A.U.P., as vantagens da incorporação destas plataformas num ensino tradicionalmente presencial, salvaguardando desde já, que para isso os paradigmas de ensino terão que ser repensados.

Palavras chave: b-learning, desenho e meios de comunicação e informação digitais.

DO ATELIER PARA A REDE

A ideia de que a tecnologia digital amplia as possibilidades comunicativas aplicadas ao ensino/aprendizagem artística, promovendo dinâmicas mais colaborativas e participativas impulsionadoras de redes de conhecimento, é o ponto de partida para a seguinte reflexão.

A partir de uma experiência de ensino/aprendizagem focada na disciplina de Desenho e apresentando o conceito de desenho como instrumento de procura, questionamento e validação de uma ideia, desenvolvemos o assunto no sentido de promover a educação permanente, para possibilitar a reflexão a nível individual e do grupo, para ampliar as redes e dinâmicas de trabalho em projetos artísticos e para multiplicar as redes de comunicação e informação possibilitando uma maior partilha de interesses e colaboração nos processos de aprendizagem. (Simões, 2012)

FIG1

Fig1. Ligações possíveis entre os conceitos trabalhados no texto

Parece-nos pertinente pensar nesta alternativa de ensino no contexto da atual realidade social, política e tecnológica. A transversalidade exige a articulação entre as problemáticas comunicacionais e educativas, que à luz desta abordagem construtivista (Vygotsky, 2007) passa não só por entender a tecnologia como meio de informação e comunicação, mas acima de tudo, entende-las ao serviço do ensino/ aprendizagem de uma disciplina tradicionalmente presencial como o desenho.

Partimos da frase de Otl Aicher “Pensamos como nos enseña el tiempo.” (Aicher, 2001: 330) para organizarmos a nossa proposta de reflexão à cerca destas matérias. Quem ensina, tem por obrigação estar atento às constantes alterações do meio em que se insere. Principalmente, como quem, assim como nós, trabalha sobre as questões da imagem, pois  estamos convictos de que a tecnologia digital provocou uma verdadeira revolução, tanto no acesso, na produção e partilha de conteúdos.

Neste ambiente de verdadeira parafernália tecnológica, torna-se por vezes difícil entender os níveis de implicação destas, principalmente no que diz respeito aos hábitos e práticas de utilização dos nossos estudantes.

Se pensar é fruto do nosso enquadramento cultural, da nossa educação, e estamos condicionados pelos modelos que vamos criando na nossa mente com os quais fazemos a leitura do real, essa mesma leitura, terá que implicar com novas consciências da realidade, principalmente quando temos novas informações e acessos disponíveis.

À luz das palavras de Prensky (2001) e Palfrey (2008) os nossos estudantes fazem parte da geração “digital natives”, mas serão na verdade, digital students?

Até que ponto as estruturas pedagógicas, assim como os planos curriculares incentivam à incorporação das ferramentas e instrumentos digitais, tanto na realização de imagens como nas dinâmicas de ensino? Parindo desta motivação em averiguar a real aproximação das nossas práticas pedagógicas ao panorama geral da implementação tecnológica, realizamos um estudo de caso, tendo como participantes aluno de desenho da FBAUP, na unidade curricular de Desenho III, na qual se trabalham as questões do desenho, processo e respetivas Dinâmicas processuais.

As plataformas ao serviço do ensino do desenho

Do estudo de caso que desenvolvemos, propomos uma síntese dos assuntos mais pertinentes e a partir dos quais desenvolvemos algumas reflexões objetivas e diretamente ligadas aos resultados que obtivemos no levantamento de dados, e outras de conteúdo mais exploratório que pretendem lançar algumas pistas para a continuidade da utilização de plataformas, LMS (Learning Managements Systems) e da PLE (Personal Learning Environments) no ensino artístico.

Partimos para a realização do nosso estudo de caso tendo por base as seguintes pergunta:

Será viável e adequado implementarmos e aproximarmos o ensino do desenho às iniciativas e práticas do blending-learning (b-learning)?

Serão estas ferramentas promotoras de discussão e argumentação para o ensino sustentado na prática?

Como poderão ser desenhados os modelos organizacionais de conteúdos em formatos de ensino a distância via Internet em que a imagem é o meio de comunicação?

Motivados por estas dúvidas, e tendo como referência outras áreas do conhecimento em que as tecnologias digitais estão incorporadas de forma proveitosa nas práticas educativas,  fomos de acordo com o método do estudo, verificar no terreno, ou seja, na sala de aula, quais as possibilidades e mecanismos necessários para que uma disciplina como desenho, assente numa metodologia muito próxima da reflexão/ ação, com modelo de ensino presencial, possa usufruir e utilizar esta tecnologia na sua componente pedagógica.

Realizamos um conjunto de ações, utilizando vários tipos de instrumentos que permitissem uma recolha de dados variada, com vista a obter informação e conhecimento no domínio das questões levantadas. O objetivo, foi não só, uma leitura mais exata e atual da aplicação destas ferramentas ao ensino do desenho, como também, obtenção de elementos que nos permitam entender as dinâmicas e ferramentas necessárias para uma boa aplicação a este ensino.

Principais dados decorrentes do estudo

A tecnologia está instalada. Tudo aponta nesse sentido. Os esforços da indústria informática fomentam a necessidade de estarmos continuamente ligados em rede, quando lançam no mercado aplicativos e  dispositivos móveis cada vez mais intuitivos, proporcionando a incorporação da tecnologia de maneira cada vez menos percetível e intuitiva.

Proliferam as redes sociais, grupos de pessoas aproximam-se por terem em comum os mesmos interesses, quererem participar e debater  temas que lhes são próximos. Os processos e métodos de informação e formação, existem cada vez mais em torno da rede, de forma veloz, em que a memória, o arquivo, habitam num espaço que é de todos.

Se em ambientes informais estes mecanismos estão presentes e são de grande utilidade para quem procura e investiga, no ensino formal, tais mudanças são difíceis de operar. Por um lado, temos as características do próprio instrumento que é o desenho, que tem um tempo, uma memória, mecanismos e processos de conhecimento, que lhe são próprios. Por outro, existe um modelo de ensino instalado num cenário onde rotinas fomentam a relação professor/aluno, seguindo um modelo linear há muito instituído, baseados numa relação causal, em que o professor é o responsável pelas dúvidas e os estudantes têm obrigação de dar respostas.

Por estes motivos, o que encontramos, na verdade, foi um fosso entre as práticas de aprendizagem e os paradigmas construtivos que as TIC (Tecnologias de Informação e Comunicação) e as LMS fazem emergir. Existe de facto uma distância entre ambas realidades, todavia possíveis de resolver caso os responsáveis pela educação estejam conscientes das suas responsabilidades.

Um das conclusões a que chegamos com o nosso trabalho é o que, apesar de à primeira vista, parecerem ser realidades distantes e pouco relacionáveis (o ensino de desenho e as tecnologias que envolvem a comunicação, o conhecimento e a informação), estas têm na verdade muito em comum, quer na estrutura quer na forma como desenvolvem os seus mecanismos de pesquisa, de associação de ideias, de análise, de verificação e validação do conhecimento divergente e convergente. (Robinson, 2000)

Por outro lado, o contexto imagético em que estamos enquadrados, permite-nos o acesso a uma variedade de imagens que, quer pela divulgação, quer pela concretização, advêm da utilização das ferramentas digitais. A internet, ou melhor o computador, é o suporte onde se apresentam a maioria das imagens, é através dele que conhecemos determinadas pinturas, desenhos, esculturas, instalações, etc. que de outra forma não teríamos acesso, pelo menos de forma tão imediata. O acesso à informação é cada vez mais mediado pelo computador e isso verifica-se na forma como os estudantes acedem à informação. Senão vejamos, pela amostra de dados recolhida (graf.1) verificamos que a tecnologia digital, assim como  a internet, estão presentes em casa da maioria dos participantes, o uso que dela fazem prende-se com a procura de informação, principalmente imagens e textos que  podendo, ou não, estar relacionadas com assuntos do ensino formal, fazem parte dos hábitos de procura. A internet é o primeiro recurso de pesquisa, promovida autonomamente, pois embora não exista nenhum tipo de estruturas pedagógicas que incentivem à procura e a aproximação dos estudantes a redes de conhecimento partilhadas, ou, a redes de comunicação e discussão de assuntos relativos à arte e ao desenho a internet é o primeiro passo para acederam à informação.

GRÁFICO 1 [ imag]

Fig1. Atividades referidas pelos 21 participantes no estudo de caso

A utilização dos instrumentos disponíveis na internet, assim como as plataformas de características pedagógicas, apenas se figuram como repositórios de informação, a discussão e a partilha têm pouco espaço no recurso à tecnologia do conhecimento, como designa Lévy (1990). Esta utilização acrítica da tecnologia, fomenta o que verificámos serem os hábitos de pesquisa e trabalho dos nossos estudantes. Hábitos muito individualizados e pouco integrados num contexto de turma, sem que a partilha e a discussão crítica sejam fomentados.

Neste sentido, e para que momentos em que se pretende que existam reflexão e crítica do trabalho da turma, pudessem ser mais frutíferos deveriam não se deveriam limitar a atos isolados e pontuais, e sim, parte integrante e contínua da planificação das aulas. Pela impossibilidade das cargas horárias, este tipo de situações, em que existe discussão, correção, sugestão, acontece maioritariamente, na sala de aula e entre professor e aluno. Desta forma, e pretendendo ampliar o espaço da sala de aula para um espaço atemporal, em que todos podem participar, vemos nas tecnologias de comunicação e nas LMS ferramentas e instrumentos com capacidade de fomentar de maneira contínua o conhecimento e a partilha crítica do trabalho que se realiza no contexto da turma.

Todavia de nada serve a panóplia tecnológica se continuarmos assentes num modelo industrial de educação, um modelo linear que assenta no processamento em série.

O conhecimento só acontece quando existe um pensamento crítico possível de ser transmitido por qualquer meio, em que conseguimos olhar para o mundo de uma perspetiva diferente, sem darmos por adquirido o que nos parece evidente.

A tecnologia de nada serve se não repensarmos os modelos de socialização e partilha. O desafio está na comunicação, e não apenas na informação. Devemos contrariar o refúgio na técnica e na informação em detrimento da comunicação e do conhecimento, promovendo com a internet comportamentos e processos que nos levem a um entendimento crítico e reflexivo. Só desta forma estaremos a contribuir para um ensino que se baseia e que se sustenta no conhecimento criativo.

Não nos podemos posicionar em relação à tecnologia como o coelhinho da Alice no País das Maravilhas, como metaforicamente nos apresenta Wolton (1999) sempre atrasados. Temos que entender que a tecnologia existe para nos servir, e não o contrário. Não podemos reduzir a comunicação, a aprendizagem e o ensino às técnicas. Por si só as técnicas não alteram os modelos de comunicação e de partilha. O desencontro de que nos fala Eça (2012: 77) entre a utilização da técnica e da tecnologia no ensino formal é exatamente porque não coincidiram com qualquer alteração nos modelos de ensino e aprendizagem, nem nos modelos de estrutura de comunicação e de partilha.

No entanto, pensamos que terá de partir, de nós docentes, esta reforma. Da nossa parte, sentimos estar a cumprir um dos objetivos a que nos propusemos no início da investigação, favorecer a  incorporação  destas tecnologias de forma a contribuir para um maior e melhor desempenho de ensino baseado “na aprendizagem assistida orientada para a construção do conhecimento do indivíduo, a qual se sublinha a importância dos tipos de complexidade do conhecimento, as estratégias de aprendizagem e os estilos individuais de aprendizagem em ambientes dinâmicos e flexíveis” (Dias, 2001:144).

Existe de facto espaço para este tipo de instrumentos promotores de redes de comunicação e partilha. Verificamos que a utilização das ferramentas digitais como a Web, chats, fóruns, etc. são ainda uma realidade longínqua. No entanto, poderão contribuir, e muito,  para uma maior proximidade na distribuição e implementação dos conteúdos de aprendizagem.

A rede informática e mediática (Lévi, 1991:149) é apenas uma das várias possibilidades de comunicação existentes. Temos hoje disponíveis um conjunto de ferramentas que nos poderão ser de grande utilidade no ensino e aprendizagem de disciplinas como o desenho. Pois, o desenho não é só habilidade, ferramentas e suportes; o desenho é acima de tudo procurar, pensar, investigar… e nesse sentido temos abertas as portas para uma rede de possibilidades até antes fechada. Devemos abrir essa porta. Permitir o acesso a um ensino mais partilhado e colaborativo, incentivar à participação de todos os intervenientes. Deixar que a estrutura organizacional em forma de rede, se alastre e contamine o domínio da formação, criando uma estrutura de fluxo de comunicação que se sobrepõe aos fluxos de poder (Castells, 2007: 606).

Apesar do esforço que fizemos em tentar incorporar a TIC e as LMS na planificação das aulas, a importância destas sessões online só se farão sentir relevantes quando desenhadas como um todo, e não como uma parte. A tradição das aulas presenciais e a planificação pensadas baseadas no modelo professor/ aluno lançaram a experiência online para segundo plano, como se tratasse de um complemento ao ensino presencial. Ora, o b-learning é um processo misto, em que tanto o presencial e a distancia (e-learning) deverão ser tidas em conta, pensadas numa relação de união em que tanto uma como outras são fundamentais para o resultado.

Embora tenhamos consciência deste facto, após o acompanhamento que fizemos da disciplina, após a auscultação aos participantes do estudo, e depois de fazermos uma leitura dos dados recolhidos com as entrevistas e inquéritos que realizamos, ficámos com a perceção de que a componente a distância teve um boa adesão entre os estudantes. A maior parte dos participantes vê nesta tecnologia uma boa ferramenta ao serviço do ensino e aprendizagem onde encontraram vantagens em poderem discutir e apresentar os trabalhos fora do espaço da sala de aula, assim como, veem com bons olhos a possibilidade de promoverem o trabalho num espaço amplo de discussão e partilha. O espaço proporcionado  pela plataforma permite que cada aluno encontre facilidade em contactar de forma assíncrona e síncrona com o professor e com os colegas, seja através de mensagens, em conversa no chat comentários, envio de trabalhos, proporcionando uma avaliação mais contínua e rigorosa, promovendo a discussão e acima de tudo implicar os estudantes nos conteúdos de aprendizagem de forma ativa.

Outras das evidências relacionadas com a construção colaborativa de conhecimento, é a responsabilidade que os participantes sentem ter para que exista um bom funcionamento de uma rede de partilha com estas características. Existe de facto uma espécie de “minha culpa” pelo facto de não terem participado mais nos trabalhos dos colegas e daí terem como que boicotado o espaço de partilha. Este dado é relevante porque aponta um caminho em que o estudante é também ele responsável pelo contributo do seu conhecimento com a comunidade em que se insere, ou seja,  a turma. Embora existam momentos presenciais em que o aluno é chamado a participar e refletir sobre o trabalho dos colegas, verificámos que existe ainda muita relutância a este tipo de práticas. Também, aqui, neste espaço, que se pretende menos formal, como é o dos chats e dos fóruns, podemos encontrar dispositivos promotores de discussão e crítica que poderão encontrar no espaço de sala de aula a sua continuidade. Não vemos o espaço da Web como um espelho onde se refletem ações e momentos presenciais, vemos antes como uma miscelânea entre espaços que se contagiam de igual forma, sem fronteiras e divisões em que o envolvimento é contínuo nas atividades e o acompanhamento constante.

A distância proporcionada pela tecnologia promove a autonomia, assim como responsabiliza  o aluno das suas  ações  dentro da comunidade que é a turma. O sucesso resulta dum trabalho conjunto em que todos são responsabilizados, todos têm que estar envolvidos, sejam aluno e professores.

Conteúdos de ensino e aprendizagem 

Para que o modelo em ambientes distintos de aprendizagem (a distância e presencial) seja frutífero, existem algumas considerações que gostaríamos de apresentar, resultantes do nosso estudo de caso as quais nos parecem essenciais se quisermos prosseguir neste território de investigação.

A contínua presença do formato de página web, como os blogues, para cada disciplina, distancia os utilizadores deste tipo de interfaces e de estruturas que permitam a integração e organização de conteúdos pedagógicos em ambientes distintos de aprendizagem. Ainda não existe consciência, por parte dos participantes no nosso estudo, de que há uma grande diferença no uso de um ou do outro recurso como complemento das aulas. As TIC, onde vulgarmente se inserem as ferramentas e aplicativos de apresentação de imagens, a troca de emails, a internet  como sítio onde podemos encontrar informação útil para a nossa formação e informação, não é o mesmo que propormos o trabalho em plataforma, ou num LMS. São dinâmicas com estruturas de organização e de conceitos que alteram o sentido de como entendemos o ensino e aprendizagem.

Não só os modelos de que nos servimos para apresentarmos ou ilustrarmos uma situação, são o único recurso à imagem existente no ensino que se sustenta e baseia na prática. A reflexão/ ação existente nos processos criativos, onde se ativam situações em que os alunos criam e trabalham com autonomia, incorporam no seu processo de trabalho práticas de argumentação e reflexão, necessárias e fundamentais para a evolução de competências necessárias para a concretização e validação dum projeto criativo, encontram nesta tecnologia apoio e suporte integrante.

Neste território, estas tecnologias poderão contribuir, e muito, para uma atitude mais interventiva dos participantes. As galerias de imagens e os e-portefólios são de grande utilidade para o  ensino do desenho. Por um lado, podemos construir um banco de imagens colaborativo de apoio ao assunto do estudo, por outro, podemos colocar os desenhos que realizamos construindo os e-portefólios fundamentais à apresentação do nosso trabalho para o exterior.

Estamos certos de que quanto maior forem as possibilidades de discussão e implicação de novos dados maior é o avanço no conhecimento. O pensamento divergente, fundamental no pensamento criativo, poderá encontrar no espaço da plataforma muitos instrumentos de partilha e de discussão que quando adaptados e trabalhados de acordo com os conteúdos de estudo, poderão ser de grande valia para o ensino e aprendizagem.

Neste sentido, os fóruns são de grande utilidade para a discussão (assíncrona) dos assuntos e matérias de estudo. Podemos desenvolver a nossa investigação teórica e prática tornando-a pública e disponível à discussão com colegas e professores. Também os chats pelos momentos de comunicação síncrona  que proporcionam, poderão de forma eficaz servir para a discussão e partilha de dúvidas e conteúdos.

Do ponto de vista da resolução prática de exercícios de desenho, muitos dos trabalhos são desenvolvidos fora do espaço da sala de aula, onde na maioria das vezes o/a estudante trabalha sozinho.  A possibilidade de feedback por parte dos professores e por parte dos colegas acontece por vezes muito depois do desenho estar concluído. Neste sentido a possibilidade de colocarem e apresentarem o trabalho quase instantaneamente poderá ser de grande utilidade para a evolução do projeto de trabalho, aliás, como testemunham alguns dos participantes no estudo de caso.

Certamente que se coloca a questão do meio do desenho não ser na maior parte das vezes em suporte digital, e isso poder contribuir de alguma forma para o afastamento destas práticas promovidas pelo digital onde tudo e todos se encontram à distancia de um clique. Com a certeza de que se os meios digitais, assim como os aplicativos de criação e manipulação de imagem estivessem mais presentes nos instrumentos utilizados dentro da práticas de representação da faculdade, esse fosso entre o tempo do fazer e o apresentar seria mais estreito, assim como surgiriam outras práticas e espaços de conceptualização e representação a serem apresentados e discutidos. Contudo, os dados que obtivemos sobre o uso da tecnologia digital ao serviço da criação de imagens de desenho demonstram que a utilização destas estão longe de se apresentar como uma prática recorrente.

Se para já, esta realidade nos parece distante, não tardará que o conteúdo deste texto esteja ultrapassado. Pelo menos o esforço do nosso trabalho será nesse sentido; de aproximar os participantes de ensino e aprendizagem num esforço comum, proporcionar um ambiente de ensino colaborativo e participativo onde todos os intervenientes são também eles construtores de uma rede de conhecimento criativo.

Se Ruskin1 no séc. XIX  encontrou na comunicação por carta espaço para divulgar e ensinar  desenho, não sejamos nós, hoje, com todos os meios e facilidades disponíveis com a internet e redes de comunicação que devemos evitar esta possibilidade. Perante este cenário tecnológico temos não só  que estar abertos a esta realidade como principalmente  refletir  sobre os atuais modelos de representação e por conseguinte sobre os atuais modelos de ensino. Estamos convencidos de que existe potencial na educação online não explorado que poderá fortalecer atividades conjuntas e continuadas que poderão passar por trabalharmos em rede na construção de conteúdos pedagógicos direcionados, aproximando-nos enquanto comunidades com interesses comuns estreitando assim o espaço físico que nos distância.

 

CAHILL T.(2002). My Dear Miss Nicholls: John Ruskin’s to a drawing student. In Master Drawing, vol. 40, Nr 4. 305-316.

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Autor(es)
Ano 2013
Tipo Publicação em Actas