Encontro de Escalas. Espaço de relação para uma análise

Este trabalho deve ser entendido como uma aproximação ao estudo da arte, enquanto interface entre o impulso criativo e a sua percepção, procurando abordar temas que são gratos ao conhecimento da obra, sua interpretação e enquadramento na sociedade.
Fazendo do observador e da sua relação com o espaço artístico o centro deste estudo, procuramos perceber fenómenos de interdependência que, através do seu corpo e na estreita relação com o que o rodeia, experimenta sensações de espaço.
Fazendo a analogia entre o jogo de escalas e o espaço de relação tentamos trazer uma dimensão física à discussão do tema e identificar o ponto de vista, olhando para as escalas sempre por uma óptica de correlação, fugindo à sensação imediata de oposição.
Esta definição de relação encontra-se vinculada a uma sugestão de espaço, não no sentido literal que evoca as três dimensões, mas enquanto meio através do qual se projecta o diálogo interior entre o artista e a sociedade, como um campo onde se articulam os elementos, quer estejam presentes num nível bidimensional, tridimensional ou compondo acções multi-dimensionais.
O estudo sobre as questões espaciais que se prendem com a tridimensionalidade, estão na base deste trabalho, contudo, devemos tratar o espaço da obra de arte como um lugar incorpóreo de relações entre o artista, através da sua criação, e o observador, visitante ou espectador.
No titulo, qualificamos o Encontro de escalas como um espaço de relação, pelo facto de considerarmos que o espaço da obra de arte é um diálogo que acontece no seio do trabalho artístico e com tudo aquilo que lhe é exterior e com o qual se relaciona.
Desenvolvemos este conceito de relação na obra de arte a partir das inquietações propostas Heisenberg quando afirma – “cada uno tiene dividido el mundo, no en diferentes grupos de objetos, sino en grupos de conexiones; esto es relaciones” afirmando que nenhumasdas partes de que é constituída a obra de arte tem autonomia sobre as demais, pelo contrário, todas elas se completam na criação de um todo relacional.
O espaço pode então entendido como meio, campo ou condição para que se estabeleça a ponte para a criação, neste sentido, o caracter relacional da escala encontra-se, quer na capacidade de percepção do observador quer na função expressiva dos elementos.
O jogo de escalas é, então, entendido como cruzamento, diálogo entre posições e valores de uma qualquer unidade de grandeza, desde a elementar e física escala de dimensões, até à complexa escala de representação, onde encontramos diferentes graus de aproximação e afastamento da realidade.
A arquitectura, o design, a pintura, a escultura, o teatro, o cinema e até a fotografia, são áreas de trabalho que centram o seu estudo na apresentação de espaços, mais ou menos físicos mas, quase sempre, muito concretos.
Cruzando conhecimentos entre várias formas de arte, exploramos o ponto de vista sobre o trabalho artístico, padronizado sob uma forma de modelo de análise, no qual condicionamos os vários momentos da criação e da apresentação da obra de arte visual, a uma perspectiva relacional.
Através da escala lançamos um olhar sobre as várias relações que acontecem dentro e fora da obra de arte, apostados em avaliar cada momento artístico como um encontro, revestindo-se das mais variadas vertentes, desde o encontro entre os vários elemento que formam a composição, passando pelo encontro da obra de arte com o seu fruidor, e chegando ao próprio encontro entre várias disciplinas artísticas em torno da produção de um evento.
En este territorio de mestizaje, cada vez más interdisciplinario, en el que se han operado tan fuertes desplazamientos e hibridaciones, no sólo entre las distintas disciplinas sino, con un calado más profundo, entre el arte y lo real, entre el arte y el sistema cultural que lo genera, resulta cada vez más difícil deslindar no ya la propia escultura sino el propio rastro del proceder escultórico. Yohn, A. (2000: 227)

Autor(es)
Ano 2007
Tipo Tese
Instituição Faculdade de Belas Artes da Universidade de Vigo
Grau Doutoramento
Orientador(es) José Luis Vicario
Idioma Poruguese
Área Escultura, cenografia, instalação e espectáculo