Diário Gráfico como um Dispositivo de Aprendizagem do Desenho no Ensino Secundário

No território do presente Mestrado em Ensino de Artes Visuais assistimos à fecundação de várias pequenas sementes que trabalhadas e cuidadas terão um papel na mudança da educação artística, e, em particular no ensino do desenho. Quando iniciamos o estágio observamos e assistimos a um conjunto de práticas de ensino do desenho que identificamos como sendo semelhantes àquelas que há mais de duas décadas observáramos na escola, na condição de alunos. Apesar de distante no tempo a imagem dos alunos organizados em filas voltados para o professor mantém-se viva e presente. A esta imagem encontra-se associada uma panóplia de operações sistematizadas/ritualizadas que no espaço da sala de aula assumem o estatuto de disciplina e que ainda, hoje, reconhecemos no estágio. Os códigos e normas são conhecidos por todos e o seu não cumprimento implica sanções. A complexidade das sanções encontram-se adequadas à natureza da infracção. Sistemas organizados com o intuito de disciplinar encontram-se nos nossos dias sobrepostos aos propósitos de uma escola cuja primazia da sua essência passa pelos métodos de ensino – aprendizagem geradores de aprendizagens. O tema que nos propusemos tratar intitula-se “Diário gráfico como um dispositivo que potencia a aprendizagem do Desenho no Ensino Secundário” e foi incorporado numa Unidade de Didáctica onde foi explorado. A proposta inscrita neste “artifício” procurou promover um conjunto de diálogos em torno da aprendizagem do desenho. O processo passou por uma intervenção de desconstrução de espaços naturalizados. Tratou-se de uma acção que partiu da observação e da reflexão sobre a realidade observada no espaço do estágio. O olhar matricial entre as linhas de práticas da instituição e as colunas dos discursos de poder combinam-se em pontos de cruzamento que lhe conferem configurações perceptíveis ao nosso olhar. Às heranças da racionalidade iluminista conhecidas e reconhecidas na tradição escolar propomos um Relatório de estágio que aqui se configura como uma pequena semente em germinação. Esta pequena semente pretende seguir o sentido de romper de forma gradual com as estruturas de carácter colossal que tendem em abafar as manifestações divergentes e assumir no seu trajecto pontos coesos de libertação.

Ano 2012
Tipo Tese
Instituição Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto e Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto
Grau Mestrado
Orientador(es) Prof. Doutor José Carlos de Paiva
Idioma Português
Área Desenho, Educação Artística