Até que a morte nos separe

“A recente exposição que Carla Filipe e Ulrich Loock organizaram no mezanino da Galeria Municipal do Porto é uma insurreição à fugacidade e dispersão da cultura nocturna nas suas manifestações sonoras e visuais. O ontem morreu hoje, o hoje morre amanhã, título da exposição, sublinha desde logo a impermanência das palavras, imagens e sons que o entretenimento da la movida procura compensar na nossa existência extenuada. A própria palavra “entreter” parece revelar-nos essa suspensão de nos manter entre qualquer coisa (entre-ter) que na maioria das vezes resvala no esquecimento. Esta exposição traz para a luz do dia e para o olhar mais reflexivo do que flutuante todo um repertório noctívago, heterogéneo e disperso de cartazes, serigrafias, fanzines, capas de discos e cassetes, revistas, vídeos, entre outros objectos que circularam pela cidade do Porto nas últimas duas décadas depois da hora de jantar. Há, todavia, mais do que uma geografia precisa, uma assunção autoral e por isso assumidamente facciosa: trata-se da noite do Porto pelos olhos e ouvidos de Carla Filipe. (…)”

Autor(es)
Ano 2018
Tipo Artigo electrónico
Publicação CONTEMPORÂNEA, Ed. 07 / 2018
Local Porto
Idioma Português
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