ALMADA E ERNESTO, DOIS NOMES DE GUERRA

Após ter realizado D. Roberto, Ernesto de Sousa [ES] optou por desenvolver uma estratégia conducente à elaboração do espectáculo total. Em 1965, com Gebo e a Sombra de Raul Brandão, estrutura-se a noção de globalidade que evidenciaria na sua mais decisiva obra, Almada, Um Nome de Guerra [AUNG], verdadeira homenagem à resistência de Almada [AN] contra as “classificações fechadas dos géneros e dos meios artísticos”.

AUNG é, por isso, a consumação de outros trabalhos de ES, nomeadamente Nós não Estamos Algures, a que se designou de exercício de comunicação poética (verdadeiro ensaio), e que prolongou o texto Invenção do Dia Claro de AN. Se em Nós não Estamos Algures AN é uma espécie de co-autor e cúmplice da obra de ES, em AUNG, AN é já uma espécie de mito que eterniza a cumplicidade, apropriada, de ES. AUNG tornar-se-ia no ensaio essencial para toda a modernidade portuguesa da segunda metade do século XX.

O Projecto AUNG é, verdadeiramente, um projecto bissectriz que, por aproximação a AN, permite transcender a importância maior do primeiro romance moderno português (auto-retrato de Almada) e, por isso, de manifesta produção artística e cultural, em revisitado olhar político de ES. Revisitação e homenagem. Mas também extensão do que foi, e do que é, AN, em ES.

Ano 2012
Tipo Artigo em jornal sem revisão por pares
Publicação revista PLI Arte&Design, 2/3, 2012
Editora ESAD