A tese de um diário de escrita de si

Resumo

Este Relatório associa-se ao estágio decorrido no ano lectivo 2010/2011, na Escola Secundária/3 Aurélia de Sousa, no Porto. Mais do que um parecer sobre a prática, este texto é o espaço de observação e de construção das várias ligações que foram sendo possíveis de estabelecer entre o estágio, as leituras, as conversas, a escola, as pessoas e o próprio acto da escrita. Aqui, escrever não é somente uma tradução da experiência numa superfície inteligível e partilhável, mas o retiro do sujeito – o momento de reflexão, o processo do pensamento que assim é documentado. Interessada em questões abrangentes da educação artística, excedendo a didáctica, o currículo ou a formação, orientei o estudo para o domínio das relações, do processual e da invisibilidade. Como tal, a minha intervenção no estágio não foi incisiva num tempo nem num assunto particular, optando antes por desenvolver uma presença que, embora assídua, se manteve sempre a uma distância que considerei ser fundamental para as circunstâncias da durabilidade do processo e da exequibilidade do olhar analítico que procurei conservar. Apesar de assistir às aulas de História da Cultura e das Artes de uma turma do 11º ano e de outra turma do 10º ano, foram as aulas de Educação Visual de duas turmas do 8º ano que trouxe para este Relatório. Aí introduzi os diários visuais, objecto que mediou muitas considerações tecidas neste texto sem que, todavia, se possam dizer protagonistas da prática decorrida. Formalizada nos diários, a experiência do estágio amplia-se a toda a vivência e convivência que o espaço e o tempo proporcionaram. O Relatório é uma geografia do período de Setembro de 2010 a Junho de 2011. Mapeia as minhas inquietações neste campo epistemológico e combina-as com considerações sobre história da arte e a análise do discurso. Nos vários cruzamentos que ocasiona deixa a descoberto as circunstâncias que levaram à introdução dos diários visuais, não como instrumentos, mas feitos superfície de inscrição e de subjectivação. Os sujeitos tornaram-se objectos do conhecimento, e a prática, primeiro inserida como meramente operativa, desencadeou novo questionamento: até que ponto estava eu a intervir na constituição daqueles sujeitos através da implementação de um cuidado de si?

Autor(es)
Ano 2011
Tipo Tese
Instituição Universidade do Porto
Grau Mestrado
Orientador(es) Catarina Martins
Idioma Portuguese
Área Educação Artística