A ouvir é que a gente se entende

Participação em Encontro composto pelos onze Institutos Paulo Freire de todo o mundo e organizado com painéis em torno de três grandes temas: O Papel dos Intelectuais na Educação, Gênero e Educação, e Ecopedagogia.
19-22 Setembro 2012
Organização: UCLA e Instituto Paulo Freire-UK
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Foi na comunidade quilombola da Conceição das Crioulas que conheci Paulo Freire.

Tudo começou em 2003 numa viagem que aproximou o Porto, Portugal e Salgueiro (Pernambuco), Brasil.

Ali apresentei-me e fui apresentada a uma comunidade marcada pelo ritmo do dia, do sol, da noite e do céu estrelado, em conversas longas e pausadas, cantadas prolongadas. Tudo ali é um conto e um canto. É assim que ela se apresenta, cresce, se mostra firme, madura e árvore.

Quando parei para escutar, vi que a comunidade cresce numa busca descendente, em direção às suas origens e às suas raízes. Ela sabe que fortalecidas na base se ramificam com mais vigor, com mais força e que se torna mais resistente às adversidade temporais. É uma luta constante o seu dia-a-dia. Pelo direito à terra (que suporta a raiz), à educação (que orienta o crescimento) e à saúde (que garante a continuidade). Desta forma, não se prende apenas aos seus costumes, assimila o mundo que a rodeia procurando reinventar-se todos os dias nessa partícula global.

Crescer na busca de conhecimento é o que a torna consciente e crítica. E é na procura e na construção da sua identidade que ganha e oferece os seus conhecimentos ao mundo e dele absorve.

Na verdade, toda a pessoa que ali se apresenta coloca-se enquanto pessoa perante a consciência de que existe numa teia social.

Ali conheci Paulo Freire porque provavelmente foi ali que Paulo Freire se tornou ouvinte.

Autor(es)
Ano 2012
Tipo Texto não publicado
Publicação VIII Encontro do Fórum Internacional Paulo Freire
Local Los Angeles, California, USA
Idioma Português
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