A memória incorporada em processos artísticos: reflexões sobre desenhos protocolares e o desenho como performativo infeliz

Esta investigação doutoral pretende contribuir para o estudo da memória autobiográfica e processual como recurso do processo artístico. Fundamenta-se num ensaio prático, enquadrado por uma narrativa pessoal onde se reconstrói, enquanto memória incorporada, a relação performativa com o jogo na infância, atualizada em processos artísticos híbridos. O papel desta memória é investigado, experimentalmente, através da criação de desenhos baseados em comportamentos restaurados (Richard Schechner): processos compostos por fragmentos de outros processos, de diversas proveniências. Buscamos refletir sobre como
atualizar memórias episódicas em processos de desenho e quais são as possibilidades criativas e conceituais. Serão apresentados alguns processos de criação em desenvolvimento que permitem discutir sobre as questões: como transformar um evento em um desenho (“tornar os verbos visíveis” – Edward Tufte); o desenho como ato performativo — instruções-de-uso como um jogos mentais entre o exeqüível e o impossível (a possibilidade de pensar e imaginar aquilo que é anunciado); o desenho como autoficção — o desenho como ação e substituto da ação — há uma parte de mim que consegue experimentar a ação através do desenho; e o desenho com função performativa — experimentado como lugar e inscrição de uma performance virtual. Esses trabalhos serão pensados como desenhos protocolares na sua dupla acepção de uma instrução para ser seguida à letra, ou na de romper o protocolo, como um puro jogo, sem qualquer sugestão para que sejam realmente executadas (Mike Sperlinger). Os desenhos protocolares são entendidos como atos diretivos (John Searle) cujo propósito é tentar conduzir ao desejo para que alguém faça algo, ou como protoperformances (Schechner) no que se refere ao que antecede ou potencia a ação.
Na incapacidade (ou a falta de coragem) dessas memórias se realizarem como performances, mas como desenhos (eu desenho para não agir), temos o que John L. Austin definiu como o performativo infeliz, quando seu objetivo não se cumpre.

Ano 2013
Tipo Publicação em Actas, Texto não publicado
Publicação 1º ENCONTRO DE INVESTIGADORES EM ARTE E INTERMEDIA
Editora i2ADS/FBAUP
Local Porto
Ed/Org Maria Mire, Ronaldo Macedo Brandão, Sandra Coelho and Sofia Ponte
Idioma Português
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