A imagem video — A suspensão do real (Nada de nada)

A IMAGEM VIDEO — A SUSPENSÃO DO REAL (Nada de nada) é um projecto artístico que tenta comportar-se dentro de um sistema que lhe é ao mesmo tempo próximo e distante: o sistema académico.

Ao obrigar-se a preencher um espaço, mesmo que vazio, a prática artística corre o risco de se ver ela própria fechada ao exterior. Foi então necessário esvaziar por completo o trabalho — bem como a própria linguagem — antes mesmo de o construir, para chegar depois disso a um nada de nada, uma espécie de abismo a que só um acto de destruição poderia levar. Até aquilo que parecia mais sólido acabou também estilhaçado: a palavra, a imagem, o som e o tempo.

No meio dos destroços, a imagem vídeo aproximou-se então de outras imagens, em particular dessas imagens do cinema que desde sempre estiveram perto da ruína ou se quisermos, da suspensão. O trabalho mergulhou nalguns textos encontrados ao longo do caminho, em personagens de histórias e em especial na própria realidade (contada pela aritmética dos números e pela gramática das palavras e das imagens), e aí, no real, nos meandros dos seus acontecimentos, encontrou um tempo que lhe é próprio e que tomou conta de tudo.

O trabalho fez-se pois assim: sozinho ou arrestado por algo maior do que ele.

A velocidade do mergulho na realidade aconteceu num tempo que nem sempre foi possível observar a olho nu: foram necessárias máquinas (câmaras com relógios) e outros dispositivos similares para arrestar, ainda que provisoriamente, o próprio tempo.
Noutras alturas foi preciso encontrar um olhar mais atento para se poder ouvir as imagens, ou se quisermos, múltiplos olhos, múltiplas perspectivações do olhar, múltiplas máquinas; e ainda um outro olhar, quase parado mas também ele suspenso e feito de manobras mínimas e imperceptíveis, as quais, umas vezes ampliadas, outras reduzidas a nada, permitiram construir uma narrativa.

Em suma, as imagens, as palavras e os sons (a linguagem) são eles mesmos dispositivos para usar e devolver depois à realidade. Desse vai e vem, desse posicionamento ambíguo, onde a verdadeira realidade e uma outra realidade, menos verídica, se misturam num só veículo, nasceu este trabalho que se foi esquecendo do lugar para onde queria ir.

As imagens representam-se a si mesmas, as palavras referem-se a si próprias, os sons são aquilo que são, tal como se encontra escrito no título: A IMAGEM VIDEO — A SUSPENSÃO DO REAL (Nada de nada).

Autor(es)
Ano 2011
Tipo Tese
Instituição Universidade do Porto
Grau Doutoramento
Orientador(es) José Manuel Bártolo
Idioma Português
Área Arte e Design