A Autocensura como Agente poético Processual da Criação Escultórica – Projectos, Processos e Práticas Artísticas.

A Tese/Obra denominada A Autocensura como Agente Poético Processual da Criação Escultórica – Projectos, Processos e Práticas Artísticas baseia-se no pressuposto de que as verdades artísticas são as Obras de Arte, pelo que torna-se importante distinguir a verdade, da realidade e da veracidade.

Pela necessidade do recurso à linguagem escrita como ferramenta universalmente traduzível, definimos critérios metodológicos que, de algum modo, estabelecem ligações com o meu pensar e agir artisticamente, através de um sistema epistol@r. Assim, sentimos a necessidade de uma articulação entre o que se entende por linguagem, discurso, narratividade, denotativo e conotativo.

Nas Artes Plásticas, em geral, e particularmente na Escultura – área do conhecimento onde esta Tese/Obra de Doutoramento se inscreve -, consideramos que não existe uma linguagem universal. Não questionamos a existência de princípios ou orientações, códigos, ou mesmo aproximações a gramáticas, mas enaltecemos quer a intuição e a experiência, como a relevância de nos servirmos das mais diversas matérias, de todas as linguagens, códigos ou gramáticas – daí a denominação plasticidade, sinónimo de maleabilidade. Deste modo, será mais correcta a utilização de Expressão Plástica em vez de Linguagem Plástica (isto para não referirmos que a expressão Artes Visuais é, em nosso entender, limitadora e apenas a aceitação de um estrangeirismo).

Questionamos, igualmente, a possibilidade de falar ou escrever Escultura, o que será diverso de falar ou escrever acerca de Escultura e que por sua vez terá implicações no ensino em Arte, pois será diferente ser estudante em Arte ou de Arte.

Por estes motivos, e porque os Processos de Criação apresentados nesta tese/obra implicam uma relação umbilical Arte/Vida e consequentemente corpo/menteespaço/tempo, a Autocensura como agente poético assume-se como:

– A legítima protecção entre o que é privado e o que se torna público;

– O não-dizível pelos limites da linguagem;

– O feliz “impedimento” da consciencialização do inconsciente, mesmo quando existe um profundo auto-conhecimento.

A escrita epistol@r ou de c@rtas evidencia – é estruturante e estruturadora – todo o processo/acção desta tese/obra – uma acção determinada pela troca de correspondência entre mim e o meu orientador que se apresenta delimitada no tempo, mas que se mantém até à presente data.

Trata-se do elemento impulsor ou a Alma deste Corpo documento/edição de artista e que justifica quer a importância da Partilha com Outro num grau de exclusividade, como a consequente Autocensura, realizada por mim nas diversas releituras ao longo destes anos que implicaram igualmente a introdução de novos elementos informativos, ora recensurando ora retirando censuras anteriormente equacionadas, numa escrita performativa privada, que resulta nesta acção – onde se tomaram todas as decisões deste percurso vivido mas sempre inacabado.

Assim, as Obras de Arte são expressões formalizadas plasticamente – pensamentos que dão origem a acções – que, pela sua autonomia e capacidade comunicantesentem-se, activam sensações, podendo estimular a sinestesia – e após a Socialização ou o contacto com o Outro, se assumem como Práticas Artísticas.

Cada um as sentirá de acordo com a sua educação, a sua cultura e, portanto, a sua experiência vivencial e a sua predisposição e os criadores serão aqueles cuja vida se centra atentamente na expressão do sentir através de processos e materializações distintas.

Deste modo, é numa combinação entre o já vivido e o que se está a viver (que nesta altura já se viveu – pertence ao passado pela efemeridade do momento) que procuramos expor processos de criar, criativamente, recorrendo à Memória e Recordação através do Impulso da Imaginação Criadora, conscientes da nossa capacidade de recriar – mimetizando ou não – o que naturalmente implica uma estrutura não-narrativa e inconclusiva.

Acrescenta-se ainda que a complementaridade entre a Criação Artística e a Prática Docente manifesta-se não apenas nos exemplos apresentados mas igualmente no funcionamento das aulas – estratégias e orientações baseadas numa partilha e Comunhão Dialogante – das quais os estudantes serão os principais testemunhos e que esteve presente cerca de 70% do tempo total entre a inscrição e a entrega desta tese/obra de Doutoramento.

Autor(es)
Ano 2011
Tipo Tese
Instituição Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto
Grau Doutoramento
Orientador(es) Professor Doutor Enric Tormo Ballester
Idioma Português
Área Arte, Escultura
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