Observatório Contemporâneo da Paisagem nas Artes Plásticas

O projeto Observatório Contemporâneo da Paisagem nas Artes Plásticas (OCPAP), do Núcleo de Arte e Design (NAD) do i2ADS da FBAUP, pretende focar a produção artística desenvolvida no território da Península Ibérica, entre os anos 2000 e 2011, sobre o tema da paisagem.

A definição do conceito de paisagem revela-se uma tarefa complexa nos dias de hoje. Reconhece-se que a paisagem, como conceito, nasceu com a pintura, tal como nos sugere Maderuelo (2005). Entre os séculos XV e XVI era primeiramente adoptada como fundo, e, progressivamente, foi assumida como um género com identidade e autonomia próprias. Cinco séculos depois, no século XXI, a paisagem invadiu definitivamente numerosos campos do saber. Diferentes ciências como a geografia, a botânica, a ecologia, a antropologia, ou domínios como a arquitetura, o urbanismo ou a economia, para citar apenas alguns exemplos, adoptaram a paisagem para as suas respectivas áreas de conhecimento.

Este projecto tem como objetivo central a criação de um Observatório Contemporâneo de Paisagem da pintura, escultura e fotografia contemporâneas, isto é, a criação de uma extensa e fidedigna base de dados sobre o tema, onde se pretende incluir tudo o que, nestas áreas artísticas, foi e está a ser feito e criado no território ibérico.

A ideia de um Observatório prende-se, primeiramente, com a observação de Javier Maderuelo que surge em El Paisaje (2006): “A paisagem é uma construção, uma elaboração mental que os homens realizam através dos fenómenos da cultura. A paisagem, entendida como fenómeno cultural, é uma criação que varia de uma cultura para outra (…).”. Assim entendida como “construção cultural”, a paisagem não é um conceito definitivo e limitado, mas abrangente e variável, cujas dificuldades de uma definição rigorosa se prendem com as diferentes perspectivas de cada uma das disciplinas que a estudam, bem como com as diferenças culturais e individuais de quem a observa. Um observatório contemporâneo da paisagem em arte pretende albergar, numa maior especificidade cultural, as diferentes abordagens e visões sobre o tema, criando novos dados que incentivem a atual e a futura investigação e uma consequente intervenção no território ibérico e na contemporaneidade.

Um observatório contemporâneo da paisagem é, mais exatamente, aquilo que ele próprio nomeia e constitui: um centro de informações (dados, vistas, perspectivas, atmosferas) que vão desde a representação mais fiel do que se vê (a paisagem in situ) à recriação plena e expressiva numa clara apresentação da subjetividade do autor (criador e/ou investigador). Neste último sentido, o de uma subjetividade da paisagem, referimo-nos a “Arte e Natureza”, da FBAUL (ed.) (2009), onde Isabel Sabino, Joana Gomes ou Juan Carlos Guadix descrevem casos da arte contemporânea onde se observam interpretações subjetivas da paisagem. Assim, diz- nos Joana Gomes em “A Cor e a Luz como Agentes de Mutação Atmosférica/Paisagística” que “a libertação da paisagem convoca-se na sua representação quando o artista é fiel à sua visão e sentimentos e, portanto, nunca fica aquém do poder que envolve a natureza”. Este projeto parte, assim, da constatação de que há, na atualidade, um retorno ao tema da paisagem, tanto na sua abordagem científica, como na sua abordagem artística. Na bibliografia deste projeto, verificar-se-á que um maior número de publicações tem a data da década 2000-2010. Juntando a isto, temos que a 1a Convenção Europeia de Paisagem (European Landscape Convention) ocorreu em Florença em 2000, bem como um maior número de conferências e comunicações sobre a paisagem se verificam a partir dessa data.

A ideia de abordar a paisagem através de objetos artísticos mais específicos (pintura, escultura e fotografia) parte igualmente do princípio da paisagem como “construção cultural”, ou seja,  como construção de um grupo determinado de indivíduos que dela captam, pela representação e observação, um sentido estético e valorativo do lugar, próprio ou de origem (na consciência de a preservar aí, no seu lugar), respeitando-a tanto quanto possível ao transportar para os objetos que a representam, as aspirações criativas ou o que da paisagem ou para a paisagem se pretende. Isto corresponde, em consciência, a um processo construtivo, positivo e de criação de valor que prepare a investigação futura.

Este projeto de investigação pretende interrogar, então, o(s) modo(s) “como dizer a paisagem”, mas também “o que é dito sobre a paisagem”. No fundo, inventariar no sentido da percepção rigorosa do que existe e, por outro lado, investigar no sentido da consciência absoluta do que pode ser a arte a partir do paradigma da paisagem e, desse modo, a possibilidade de uma nova abordagem à arte contemporânea.

Coordenador(es) de Projeto António Quadros Ferreira
Data de Início - Fim 2013-01 / 2015-01