Controvérsias no Ensino Superior Artístico do Porto de 1950 a 2012: da ESBAP à Faculdade de Arquitectura e Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto

A história das instituições, hoje universitárias, dedicadas à formação em arquitectura e em artes plásticas tem âncoras que se estendem por mais de dois séculos. Há, no entanto, um período recente onde se promoveram ‘reformas’ que estabeleceram a configuração presente da Faculdade de Arquitectura (FAUP) e da Faculdade de Belas Artes (FBAUP), da Universidade do Porto. Neste período (1950 -2012), escrevem-se as suas configurações institucionais, as políticas educativas e de missão, e as práticas de promoção de aprendizagem e de efectivação dos seus projectos de formação e de investigação. Se é certo que não há escola de arte sem uma ideia do que é o ensino e a investigação que aí se pratica, a verdade é que sobre as escolas de ensino artístico do Porto, a história encontra-se ainda por escrever, ainda que seja de destacar a relevância internacional que a Escola de Arquitectura do Porto adquiriu. Com este projecto pretende-se iniciar um trabalho de grande dimensão sobre a história das três instituições que são objecto de estudo, produzindo-se conhecimento sobre o que é e o que deve ser uma escola de arte no século XXI.

Nos mais de cinquenta anos do estudo que agora se propõe decorreram debates e controvérsias relevantes para o estudo da história da educação artística em Portugal, que nos permitem entender os dilemas actuais do ensino artístico com a sua passagem a ensino superior, na década de cinquenta do século XX e, já a chegar o século XXI, com a entrada na Universidade. A Reforma de Bolonha traz ainda outros problemas, nomeadamente com a resposta que também a arte é chamada a dar às políticas de eficácia e de excelência das instituições universitárias, principalmente em termos daquilo que agora se vem designando por investigação artística.
O período em estudo é também de transformações profundas na política nacional, e onde se registam, na arquitectura e nas artes plásticas, movimentos de actualidade artística relevantes, onde as escolas e os seus docentes têm particular intervenção. Considerando a relevância deste período, e as possibilidades de se estabelecer um projecto de investigação que, por um lado, identifique, analise e organize a documentação produzida e, por outro lado, recolha e analise histórias de vida e narrativas biográficas de alguns dos seus principais protagonistas, pretende-se que este estudo se configure como um importante contributo para a construção de uma história das instituições que vá para além dos documentos escritos, permitindo a recolha e preservação de elementos sobre o vivido e ‘o não escrito’, sobre as memórias e representações de diferentes protagonistas acerca de acontecimentos vivenciados e dos sentidos e significados que lhes atribuíram/atribuem, e que se constituem como elementos fundamentais para a compreensão dos principais momentos e controvérsias que marcaram a passagem do ensino artístico de artes visuais a ensino superior (1950) até à actualidade. O ano de trabalho exploratório será dedicado a um mapeamento dos professores da Escola Superior de Belas Artes (ESBAP) que transitaram para a FBAUP e FAUP, procedendo-se a uma filtragem daqueles cuja relevância no desenrolar da história das instituições foi marcante. Uma primeira incursão ao arquivo da FBAUP e FAUP, já realizada, devolve-nos um universo de mais de duas centenas de professores. Trata-se, assim, de identificar aqueles cujos testemunhos importa recolher.
O projecto visa criar conhecimento sobre os conceitos de ensino artístico e de arte dominantes ao longo da segunda metade do século XX e inícios do século XXI, as figuras e as suas ideias sobre arte e sobre o ensino artístico, os bolseiros e o ingresso na actividade académica e artística, os períodos de maior controvérsia, onde interessa assinalar o dominante e o antagónico, os desafios, o enfrentamento das lutas ou o alheamento. Daqui resultará uma publicação de narrativas e histórias de vida com textos de análise crítica sobre esse discurso, intersectando a história destas instituições com as possibilidades abertas pela história oral. Prevê-se também a realização de um documentário a partir do material recolhido.
A equipa é constituída por investigadores doutorados que têm vindo a realizar trabalho no campo da educação artística e da sua história, memórias do trabalho e histórias de vida. Integra ainda jovens investigadores e dois bolseiros (BI).

Coordenador(es) de Projeto José Carlos de Paiva
Núcleo de Investigação Núcleo de Educação Artística (NEA)
Data de Início - Fim 2013-10 / 2014-10