Docência e Investigação em Arte: Biopolítica e a Operação da Criatividade Artística e Tecnológica na Educação

Esta comunicação parte de uma série de tensões desenvolvidas ao longo da minha experiência de docência no ensino artístico com as
tecnologias digitais. Num percurso que atravessou o ensino secundário e superior, desde cedo que trabalhei com os estudantes uma certa oposição entre o artístico e o tecnológico. Foi a partir desta mesma oposição que, quando passei a investigar e a leccionar sobre educação artística, interessei-me por uma polarização entre arte e educação. Pensar a partir deste campo as relações entre saber e fazer, pelo saber fazer e fazer saber, a não saber e não fazer, juntamente com as leituras de Foucault, Rancière, Agamben, Benjamin e Flusser, permitiramme novas problemáticas entre arte, técnica, política e educação. No entanto, os pontos de apoio que daí resultaram, parecem ser escorregadios para os discursos instaurados e dissolvem-se numa enorme impotência perante a actual retórica tecnológica. De alguma forma, o desafio da docência e investigação não pode ficar pela denuncia da besta, ou pelo conforto de também ela ser pensante (Rancière). Uma vez que, para efeitos da sociedade, da besta já não se fala, o que parece ter escapado é, precisamente, uma mudança do a priori. Já não se trata de um bom selvagem que se tem de educar mas de um humano que todos devemos ser. Este dever-ser está presente na política global e emerge, uma vez mais, nas recentes orientações nacionais, em particular, no novo Perfil do Aluno. Proponho então, uma releitura e um
enquadramento biopolítico para as forças em jogo, neste tempo de criatividade e tecnologia que se sobrepõe ao tempo dos estudantes.

Título do Evento Congresso Internacional - O Tempo dos Professores
Título da Comunicação Docência e Investigação em Arte: Biopolítica e a Operação da Criatividade Artística e Tecnológica na Educação
Data 30 de Setembro de 2017
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