Um Percurso do Lugar e da Experiência na Arte Contemporânea

Na segunda metade do século XX os artistas começam a definir um movimento divergente do idealismo modernista. De um discurso auto-referencial que marca a primeira metade do século XX, o artista procura, desde meados do século passado, uma aproximação ao contexto. Quer seja na relação com a fisicalidade do espaço, quer seja, mais tarde em projectos de relação com o lugar. Desta forma passa a existir um espaço de reflexão nas artes plásticas, dentro do qual o artista dá primazia a um contexto específico, partindo dele para a definição da sua abordagem.

No entanto, nem o lugar nem o contexto são conceitos estanques e de características facilmente nomeáveis. O lugar, segundo Marc Augé, é “identitário, relacional e histórico”[1]. O perfil de ocupação e permanência de um espaço atribui-lhe características próprias e, consequentemente, uma identidade. Temos o exemplo dos países, regiões, aglomerados populacionais. Estas circunscrições territoriais podem ser mais ou menos abrangentes, sendo que a elas correspondem, inevitavelmente, uma comunidade. Este conjunto de pessoas partilha de uma determinada cultura, língua, hábitos, códigos que correspondem à identidade desse local, e que são consequência da história de ocupação.

A um espaço físico sobrepõem-se várias camadas de interpretação, sendo umas físicas e por isso visíveis, sendo outras abstractas e por isso imperceptíveis ao olhar. É um complexo emaranhado de dinâmicas, nunca em estado finito. O momento em que o artista intercepciona a área de encontro das várias camadas, será mais um momento num tempo contínuo da existência desse lugar.

Como é que este novo corpo se irá relacionar com esse contexto? De que forma o poderá conhecer?


[1] AUGÉ, Marc, Não-lugares – Introdução a uma Antropologia da Sobremodernidade, Noventa Graus Editora, 2006