Terras Interiores

Terras interiores é um exercício de vídeo e fotografia sobre música, motivado pela peça para piano terras por de trás dos montes, de Carlos Marecos. Esta obra é composta por quatro segmentos nomeados a partir de quatro terras do interior de Portugal: Paul, na Beira-Baixa; Reguengos de Monsaraz, no Alentejo; Miranda do Douro e Paradela, em Trás-os-Montes.
A partir de terras por de trás dos montes, o fotógrafo Eduardo Brito e a pianista Joana Gama viajaram por duas vezes entre estas quatro terras, unindo-as num itinerário imaginário. Estas viagens serviram não só para a recolha de material visual para a montagem e realização destas Terras interiores, mas também para a preparação da interpretação da peça por Joana Gama: aplicando a vivência do lugar à interpretação musical, a pianista está em Paul, Reguengos, Miranda e Paradela quando interpreta as peças homónimas.
Terras interiores é, assim, o resultado de um processo baseado na ideia de viagem, de viagem interior (e circular): a imagem das terras motiva música, a música motiva uma viagem em busca de imagens e as imagens alinham-se em quatro segmentos fílmicos e num conjunto de fotografias que estabelecem com os filmes uma relação de paragem, silêncio e durabilidade; de proximidade e referenciação.
Mais do que um trabalho ilustrativo de uma certa ideia de um país interior, esquecido, abandonado, Terras interiores pretende ser um espelho de uma lenta itinerância (as viagens foram feitas sempre por estradas secundárias, durando vários dias), que propõe possibilidades de resposta à questão: que imagens convocam estas músicas?

 

Eduardo Brito: fotografia, filme.

Joana Gama: piano.

Carlos Marecos: composição.

CAAA, Guimarães, de 7 a 29 de Setembro de 2013.

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