sem título sobre rádio

▶ PEDRO TUDELA – “sem título sobre rádio” / 50:19

As séries de frequências de rádio (dados transmitidos por sinais elétricos irradiados por antenas), ruído branco e estática sonora, são elementos bastante comuns no espaço de difusão radiofónica. Estes ruídos encontram-se no que se considera o espaço entre as frequências atribuídas. Mesmo que a tecnologia, tendencialmente, os queira afastar do ouvinte, certo é que eles existem e afiguram-se, por exemplo, como informação de ausência e como espaço entre estações de rádio. Fazem parte do universo radiofónico, tanto como informação técnica como de natureza sonora que conduz a uma mudança. Habitualmente, nenhum ouvinte se detém a apreciar estes ruídos, a não ser que por falha ou defeito da captação se sobreponham ao que realmente se pretende ouvir.
A peça sonora produzida traduz o palpitar de uma cadência inundada de pequenos fragmentos, feitos do processamento das matérias apropriadas. Remete-nos para a compactação que se verifica na saturada difusão radiofónica generalista, e engloba a consciência da velocidade e do engano que há na comunicação difundida, logo que assimilada/apropriada. Essa grande atmosfera torna-se demasiado reduzida.

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