Pulso, empunhadura, desonra.

Exposição individual | Pulso, empunhadura, desonra.
Curadoria | Galeria Extéril
Local | Galeria Extéril
Datas | 06.04.2013 – 06.05.2013

Desde 2001 que apresento na Galeria Extéril, graças ao cuidado do Teixeira Barbosa, alguns dos trabalhos que tenho vindo a realizar e a retrabalhar ao longo dos anos. Tenho mostrado resultados mais ou menos espontâneos e imediatos que confirmam a minha convicção no impoder ou não poder em fazer obra ou coisa parecida. Tenho mostrado, sem outra estratégia, o que vou fazendo e refazendo. Adopto coisas feitas há muito tempo, apesar de outras me surgirem sem querer, podendo configurar, por exemplo, uma súbita série de desenhos. Ao longo deste processo tem-se salvado alguma coisa.
Para além dos desenhos-náufragos, que mostrei noutro lugar e noutra ocasião, procuro recuperar, na medida do possível, a desobra – a inoperabilidade e a inconsistência – que caracteriza o meu fazer. Mostrar e não mostrar têm constituído as duas faces de uma mal definida dedicação.
Os desenhos que agora se apresentam são simples rememorações, acidentes ou recaídas de imagens, de gestos, de coisas pressentidas ou mal vistas. Tomam a figura de máscaras ou de outras artimanhas de ocultação que resultam de uma sequência de trabalho tão involuntária quanto inevitável.
O que está primeiro é o gesto avulso do punho a que se segue o empunhar dos traços de uma máscara. O que sobra é pouco, muito pouco, e o equívoco. Sobra a aparência de uma tendência, mais ou menos esterotipada, e as variantes ambíguas de uma intenção figural.
Mas, por fim, o que importa é atrair um fundo, um componimento inculto, como diziam os antigos, um movimento onde seja possível vermos de outro modo o que é comum.

 

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