Futuro, Não Futuro

Coordenador e Comissário de Futuro, Não Futuro, Exposição Finalistas 2011, Palacete Pinto Leite, Porto, Portugal

FUTURO NÃO FUTURO, a exposição final das licenciaturas, teve como um dos seus principais objetivos proporcionar uma reflexão crítica sobre o trabalho desenvolvido no âmbito da formação dos primeiros ciclos oferecidos pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto (FBAUP). A exposição contemplou essencialmente projetos realizados no ano letivo de 2011–2012 pelos finalistas das licenciaturas em Design de Comunicação e em Artes Plásticas, inserindo e contextualizando os jovens artistas e designers no panorama mais vasto do sector cultural da cidade, na procura de posicionamentos individuais, coletivos e para o futuro.

Na sequência de uma longa tradição de exposições finais como, por exemplo, as conhecidas exposições Magnas e Extra-Escolares (nas décadas de 1950 e 1960), FUTURO NÃO FUTURO veio dar continuidade aos objetivos expositivos da instituição, enquanto escola, atestando a qualidade e a relevância dos seus estudantes.

Na âmbito das relações protocolares entre a FBAUP e a Câmara Municipal do Porto, o Palacete Pinto Leite, conhecido como Antigo Conservatório, surgiu como local de privilegiada visibilidade, tendo em conta a sua localização e carga emblemática na cidade, potenciando o acesso da mostra a um público heterogêneo. Durante a exposição as suas salas foram habitadas por mais de sete dezenas de artefactos, propostos por um conjunto de quarenta e oito alunos e selecionados pelos professores José Carneiro, Miguel Carvalhais, Pedro Maia e Pedro Tudela, e por Luís Nunes, mestrando da FBAUP e seu colaborador em diferentes projetos relacionados com curadoria e documentação na área das artes visuais. As obras e projetos reunidos na exposição foram tidos como uma amostra da produção dos estudantes nas mais variadas vertentes: cartaz, projetos editoriais e de identidade, tipografia, pintura, escultura, áudio, vídeo, fotografia, entre muitos outros media.

Na perspectiva dos artistas e designers em exposição, a iniciativa foi também pensada como um exercício de pedagogia na finalização e apresentação pública dos vários projetos, na sua apreciação, avaliação e discussão pelos pares. Este é mais um dos motes para esta exposição, onde a obra é validada e a produção incentivada. Finalmente, o evento serviu também para sensibilizar agentes culturais e instituições sobre a constante necessidade da inclusão de novos nomes e atores no sector, na tentativa de promoção de um estreito diálogo entre os recém-licenciados e os mercados de trabalho.

A exposição foi tida pelos estudantes e pela faculdade como um veículo de comunicação plena entre os produtores do trabalho e os seus respetivos receptores, estabelecendo-se num primeiro momento das suas carreiras profissionais, um passo em direção àquilo que será o Futuro. Neste ato expositivo é incutida uma instanciação do mundo real, pós-licenciatura, onde o criativo se faz representar pelo seu trabalho, onde uma rede de contatos e conhecimentos se transforma numa base para o desenvolvimento profissional. Os estudantes definem-se e evoluem enquanto artistas e designers, refletem sobre o estado da produção criativa atual e sobre aquilo que poderá atualmente ser considerado o jovem artista ou jovem designer, culminando a exposição num ato de responsabilização das suas ações e preocupações perante a sociedade, enquanto criativos e agentes culturais que já são.

Pedro Maia, Miguel Carvalhais, Luís Nunes

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