A (des)ordem do discurso

Sintonia n.0

FBAUP, maio de 2012

Experimentação da profundidade e da reverberação panóptica do espaço e da palavra, sobrepondo e subjetivando, temporal e espacialmente, vozes e discurso – o de Michel Foucault, em “A origem do discurso”, interpretado por André Fonseca, Dalila Vaz, Daniel Pinheiro, Filipe Garcia, Hernâni Reis Baptista, Hugo Pinho, Hugo Soares, Inês Vicente, Marta Bernardes, Patrícia Oliveira, Raul Ortega Moral, Rita Castro Neves, Rita Xavier Monteiro e Samuel Guimarães – registados durante a leitura performativa ensaiada do texto no Panóptico do Centro Hospital Conde de Ferreira.

Colagem sonora múltiple de um único e contínuo momento de ação e gravação, de sobreposição das vozes e de intermediação emotiva da palavra (e da sua escuta) com o ouvinte, num jogo de interação entre interpretes e espaço, de clausuras e de reverberações sonoras flutuantes emanadas do centro e das celas do Panóptico, mediante diferentes graus de aproximação aos interpretes. Palavra, voz, ação, colocação, espaço, tempo, profundidades do discurso que se cruzam em camadas de diferentes densidades sonoras, onde as palavras se tornam pontualmente percetíveis no conjunto da musicalidade coral gerada pela composição.

Colagem sonora a um objeto, também ele manipulável, o analógico de vinil, inserido num dispositivo de reprodução e escuta que, visível e disposto em interligação com o espaço, traçava linhas limite de escuta e de visão face à imagem fotográfica anónima de um estudante observando uma caveira, exposta em cópia, frontal e ampliada, e em versão original.

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