A Cidade das Aldeias

a cidade das aldeias

Pretende-se ampliar a reflexão sobre a cidade do Porto e as suas inter-relações sócio-espaciais, nomeadamente as intersecções entre cidade e campo.

Neste território cuja expansão, em rede polinuclear, preserva algo do comum e da comunidade, como se verifica, na contemporaneidade, a herança dos “Lugares” que o compunham no final do século XIX e que, apesar de outros tempos modos, continuam visíveis?

A metodologia, de raiz qualitativa e matriz etnográfica, funda-se em técnicas de inquérito, usando ferramentas de investigação/acção e observação participante, criando empatias com os residentes. O resultado esperado (mapeamento visual do território e a criação de cenários reprodutivos das relações de comunidade) apresenta-se sob a forma de objecto escrito e iconográfico. Abordando os processos de transformação desses territórios, actualmente em desagregação social, espacial e cultural, falamos de sítios que, como afirmado, já se constituíram, em tempos, em sistema (espacial e humano). Se compararmos a cidade contemporânea com a que é representada na icónica “Carta da Cidade do Porto”, aferimos que, desde 1892, são evidentes as permanências que permitem ler no espaço urbano traços de resistência da estrutura oitocentista, revelando outra cidade, rural, no interior e na periferia, a “cidade das aldeias”. Após o mapeamento dessas espacialidades e sociologias, tornou-se possível revisitar, de facto, esses percursos do Porto do século XIX, verificar a resiliência desses processos físicos e humanos de ocupação do território e compreendê-los na cidade actual.

Convocando os cinco sentidos, interpretando o espaço nos próprios “Lugares”, repensamos, na contemporaneidade, as suas idiossincrasias.

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