UNNEEDED CONVERSATIONS 2012 – LOW COST

International Seminar on the practice and theory of art
FBAUP, Porto, 16-19 Maio

Mais informações: www.unneeded.i2ads.up.pt
Inscrições: i2ads.up.pt/unneeded2012/registration/on-line-form/ 

As Unneeded conversations são uma iniciativa de âmbito internacional do Instituto de Investigação em Arte Design e Sociedade (i2ADS). Estes seminários tiveram a sua primeira edição em Maio de 2010 e têm como objectivo constituir uma plataforma  interdisciplinar de discussão e reflexão sobre a prática artística contemporânea.

As Unneeded conversations 2012 – LOW COST terão lugar de 16 a 19 de Maio na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto e noutros locais da cidade, com organização do Núcleo de Arte e Intermedia (NAi) do recém-criado Instituto de Investigação em Arte Design e Sociedade (i2ADS).

Organização:
Instituto de Investigação em Arte, Design e Sociedade (i2ADS) / Núcleo de Arte e Intermedia.
Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto (FBAUP)

Coordenação e edição: 
Miguel Leal  e Fernando José Pereira (FBAUP/i2ADS)

Editores Convidados:
UNEDITED – Mário Moura (FBAUP/i2ADS) e Sofia Gonçalves (FBAUL)
UNTAKEN – Pedro Bandeira (UM)

 

Introdução:
Não passaram ainda dois anos desde que realizámos as primeiras UNNEEDED CONVERSATIONS (UNC), em Maio de 2010,  e nada está na mesma. Instalou-se à nossa volta uma espécie de estado de emergência em que tudo parece querer desmoronar-se. O quotidiano está hoje contaminado pelo léxico da crise, e esta crise parece ocupar todos os interstícios da realidade, sendo, ao mesmo tempo, a culpada de tudo, uma desculpa salvadora para os projectos adiados, ou,  porque não, uma oportunidade para o pensamento radical da diferença.

Foi neste contexto que tomámos a decisão de dar continuidade às conversas desnecessárias, conscientes das dificuldades que temos pela frente, até porque não poderiam estar reunidas condições mais adversas para a sua realização. O nosso objectivo é assegurar que a im-possibilidade das UNC 2012 se transforme em turbulência, à imagem do motor de uma qualquer máquina a vapor que, apesar de obsoleta, teima em manter-se a trabalhar. Imperfeita e gaguejante, é o facto de esta máquina continuar a trabalhar que a torna produtiva.

Decidimos, por tudo isto, olhar a realidade de frente e organizar estas unneeded conversations sob o signo dolow cost. Todos conhecemos esta noção, ainda que somente a partir do ponto de vista do consumo e da possibilidade de gerar lucro. Conhecemos as companhias de aviação, conhecemos os hotéis, os restaurantes, os outlets —; enfim, toda uma realidade que impera na face visível da economia contemporânea e que é tão feliz quanto enganadora, já que com o low cost temos não apenas a democratização do consumo mas também a imposição da precariedade como moeda de troca.

A noção de low cost — e as formas de precariedade que dela dependem — não só não é um exclusivo das formas financeiras da economia como abre todo um novo e insuspeitado campo produtivo de pensamento e acção. Como sabemos, há outras economias e também essas  podem ser vistas sob esse prisma do low cost. Pense-se apenas na prática artística e na descoberta de novas formas de acção que integram a precariedade como modalidade poderosa para continuarem a produzir sentido; pense-se nas formas da mediação que resistem à obsessão pela novidade tecnológica ou ao mito da transparência comunicacional; pense-se na reapropriação do degradado espaço público das cidades e na sua livre transformação; pense-se na recente explosão da edição de autor e na construção de formas alternativas de publicação; pense-se, em suma, como o carácter precário de algumas destas realidades é justamente aquilo que lhes confere um estatuto produtivo e uma resistência ao mainstream do low cost.

Os quatro tópicos de discussão das UNC 2012, um para cada dia, são os seguintes:

16 de maio – UNGOVERNABLE: The precarious politics of art
17 de maio – UNTAKEN: Public Space, Back to Normality
18 de maio – UNEDITED: Pocket Publication: the Economy of Publishing
19 de maio – UNFUELED: The Potentiality of Media and its Shadows