Proverb, Steve Reich – 7 de Maio

Proverb, Steve Reich

Dia 7 de Maio às 19 horas.

No Museu da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto

Direcção:
Dimitris Andrikopoulos

Com:
Marta Martins
Mariana Fabião
Ana Leite
Almeno Gonçalves
Tiago Costa

Carlos Lopes
Inês Lopes

Rogério Petinga
Duarte Santos

Produção:
Rogério Ribeiro
Gonçalo Sério Limpo

A ideia para Proverb foi-me originalmente sugerida pelo cantor e maestro Paul Hillier, que pensou numa peça primariamente vocal com seis vozes e dois instrumentos de percursão. O resultado final consiste numa peça para três sopranos, dois tenores, dois vibrafones e dois órgãos elétricos, com um pequeno texto de Ludwig Wittgenstein. Paul Hillier é um maestro conhecido e cantor de música antiga e, tal como eu, tem um interesse na música desse período da história ocidental, olhei outra vez para os trabalhos de Perotin (Escola de Notre Dame, século XII) para inspiração.

Os três sopranos cantam a melodia original do texto em cânones que gradualmente aumentam e se tornam mais longos. Os dois tenores cantam duetos em ritmos mais curtos, contrapostos aos tons longos mantidos pelos sopranos. Os dois órgãos elétricos duplicam os cantores ao longo da peça (excepto no início, quando estes cantam a capella) e preenchem as harmonias. A peça está em constante mudança de métrica, o que dá uma qualidade rítmica livre às vozes. Após cerca de três minutos de vozes e órgãos apenas, os vibrafones entram, enunciando estes grupos entrelaçados de dois e três tempos.

O tema original nas vozes é então invertido e muda de Si menor para Mi menos. Nesta secção contrastante a linha melódica descendente original torna-se crescente. A última parte da peça é um grande cânone para os sopranos voltando ao tom original de Si menor, sendo que os tenores mantêm os seus duetos melismáticos continuamente, enquanto que o cânone lentamente de desenvolve à sua volta. É concluído por uma coda curta que acaba, como a peça começou, com um único soprano.

Apesar dos sopranos cantarem silabicamente com uma nota para cada palavra, (e cada palavra do texto é monossilábica) os tenores cantam longos melismas numa única sílaba. A influência de Perotin é claramente sentida nestes duetos de tenores contra os sopranos, que se parecem com um Organum de três partes. A mesma influência toma uma papel mais indirecto nos canons dos sopranos que são sugeridos pelos aumentos de notas mantidas pelos tenores, como em Organun, de Perotin.

O pequeno texto, “How small a thought it takes to fill a whole life!” vem de uma colecção de escrita de Wittgenstein intitulada “Culture and Value”. Muito do trabalho de Wittgenstein é “proverbial” tanto no tom como na sua brevidade. Este texto em particular foi escrito em 1946. No mesmo parágrafo de onde foi retirado, Wittgenstein continua dizendo “if you want to go down deep you do not need to travel far”.

— Steve Reich