Mário Moura: Navio Vazio

Conferência

SEX 24 DE FEVEREIRO

Pequeno Auditório da Culturgest Lisboa
18h30 · Entrada gratuita

Levantamento de senha de acesso 30 minutos antes da sessão, no limite dos lugares disponíveis.

Máximo: 2 senhas por pessoa.

Informações
21 790 51 55
culturgest.bilheteira@cgd.pt

A ideia de partida para cada uma das seis conferências de Mário Moura que, iniciadas em 2011, decorrerão até abril deste ano, a um ritmo mensal, é escolher um objeto, um livro, que permita, por sua vez, apontar para outros objetos, outros livros, mas também para exposições, filosofias, políticas, etc. As escolhas, longe de obedecerem a determinada ordem, cronológica ou temática, assentam num critério difuso: cada livro, na sua forma física, na maneira como decide ocupar as suas páginas, no modo como hierarquiza os seus conteúdos, ou como as suas imagens se relacionam com o seu texto, implica não apenas uma autoria, mas também uma forma de edição e uma forma de se relacionar com a realidade, com a sociedade, com a política ou com a história.

Navio Vazio
O objeto que serve de tema a esta conversa não é, à primeira vista, um livro mas o Navio Vazio: um pequeno espaço de cerca de seis metros quadrados, na Rua da Alegria no Porto, outrora uma oficina de duplicação de chaves. Aqui exibem-se objetos e desenhos de vários autores nacionais e estrangeiros, dão-se conferências e lançam-se pequenas publicações de todos os tamanhos e feitios. Poder-se-ia dizer que se trata de uma galeria ou de uma livraria com objetivos talvez mais amplos do que os tradicionais, mas aquilo que torna o Navio Vazio o objeto desta conferência é o facto de não ser gerido curatorialmente, como um espaço de exposições, mas editorialmente, como se fosse um livro. Ou seja, é apresentado pelos seus criadores como sendo ele próprio um livro – e a ideia não é aqui criar uma analogia entre espaço e livro, mas usar o processo de edição como modo de organizar um espaço, opondo-o a outros modelos como a curadoria, a gestão ou o design de exposições.

Numa época em que a leitura se faz cada vez mais em suportes eletrónicos, e em que mesmo as publicações mais tradicionais acabam por ser encomendadas e consumidas através da Internet, a edição, a distribuição e a venda de livros tem assumido muitas vezes um caráter performativo, experimental, que investe conscientemente na proposta de uma leitura lenta, pausada, e na capacidade dos livros para criarem comunidades – estratégias que são visíveis tanto no Navio Vazio como em projetos como A Estante (uma livraria ambulante reduzida a uma estante que se vai juntando a eventos, conferências ou exposições) e Dexter Sinister (workshop e “livraria ocasional” em Nova Iorque).

Próximas conferências
Sex 23 de março, Boletim Informativo / Bulletins of the Serving Library
Sáb 21 de abril, Dot Dot Dot, Dexter Sinister

Mário Moura é crítico de design. Escreve regularmente para jornais, revistas e antologias. Mantém o blogueressabiator.wordpress.com desde 2004. Publicou o livro Design em Tempos de Crise, editado pela Braço de Ferro em 2009. Leciona cadeiras de tipografia, história do design e autoria no design nas Faculdades de Belas-Artes das Universidades do Porto e de Lisboa. É membro do Núcleo de Arte e Intermedia do i2ADS.