Imagens do Real Imaginado, 10 anos – A refletir sobre si

Durante o Ciclo de Cinema e Fotografia Documental Imagens Do Real Imaginado, que este ano recebe o nome Utopia(s) e decorre na semana de 4 a 9 de Novembro na Biblioteca Municipal Almeida Garrett (Porto), irá ser lançada a publicação de vários autores ‘Imagens do Real Imaginado, 10 anos – A refletir sobre si’ (2013).

Excerto do texto de apresentação, de Olívia Marques da Silva:

‘Sigam, uma vez mais, o percurso traçado pelo dispositivo psíquico-fotográfico, passando do olho para a memória,
da aparência para o irrepresentável. Cavem, atravessando as camadas e os níveis, como um arqueólogo. As fotografias são apenas superfícies, não têm profundidade, apenas uma densidade fantástica. Por trás, por baixo ou à volta, uma fotografia esconde sempre outra, ou um filme. É uma questão de ecrãs.’

In Philippe Dubois

A refletir sobre si descreve um percurso nacional inédito de um evento anual: ‘Imagens do Real Imaginado’. Desde 2004 no Auditório da Biblioteca Almeida Garrett, da Câmara Municipal da cidade do Porto. Dez anos de investigação sobre realização, produção, distribuição, exibição de fotografia, cinema, artes digitais, prática e reflexão artística.

‘Imagens do Real Imaginado’ abriu um espaço à discussão sobre o que pretendemos quando falamos e fazemos imagem nas áreas de conhecimento da fotografia e cinema documental. Abriu-se um espaço à discussão sobre o sentido das fronteiras entre o que é ou não entendido como documentalismo em direção a uma linha de investigação e pensamento. Abriu-se um espaço em que a prática pode traçar uma teoria e uma teoria pode traçar uma prática. Abriu-se um espaço para se discutir até onde o mundo das artes visuais pode e deve fundamentar as aproximações entre diferentes as realidades do ensino nacional e internacional. Abriu-se a escola a um espaço público e aproximámo-nos, ainda mais, da cidade e da internacionalização da mesma. Abriu-se o diálogo da fotografia e do audiovisual ao homem, à cidade e ao mundo.

Ainda não tínhamos fixado o nome ‘Imagens do Real Imaginado’ inspirado nas premissas do pensamento de Chris Maker e já se davam os primeiros passos na apresentação do primeiro ciclo de cinema e fotografia. Foi também com La Jetée de Chris Maker que se iniciou a problematização do cinema que evoca a fotografia, as formas da imagem que evocam o tempo, a memória com planos fixos e recorrendo à imagem fixa. Os comentadores lançaram as primeiras discussões sobre o formato de um ciclo de conferências com periodicidade anual e de âmbito académico. Participaram Albuquerque Mendes, Jorge Campos, Maria de Fátima Lambert, Cesário Alves, Francisco Monteiro, entre outros. Contributos e conhecimentos que passavam pela pintura, pela música, pela fotografia e pelo cinema. Percebeu-se que das sessões de filmes comentados deveríamos avançar para um espaço físico fora da escola e tornarmos a reflexão mais ampla com contributos nacionais e internacionais. Mapeamos o que entendemos ser o começo para uma ampla ligação entre o profissional e o académico e na criação de um grau de ensino que permitisse explorar a produção e realização de fotografia, do cinema, das artes digitais, das ciências sociais aplicadas à reflexão sobre a imagem. Avançou-se na criação de um espaço na investigação de âmbito artístico e científico na abertura concreta de novos ciclos de ensino. (…)”

Olivia Da Silva