ATLAS & VOCABULÁRIO DO DESENHO: ENCONTROS # I

9 de Março, 2012 das 10.00 às 18 horas
Auditório do Pavilhão Sul
Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto

P R O G R A M A Ç Ã O

Manhã: Moderador – Paulo Luís Almeida

10.15 – Pedro Maia
O projeto Atlas & Vocabulário do Desenho
[As origens do projeto Atlas & Vocabulário do Desenho, os seus objetivos e a lógica e funcionamento do site.]

10.30 – Vítor Silva
O Atlas como paradigma da Investigação em Desenho?
[Para o desenhador não basta o instrumento e a folha de papel. Há mais. Porque o desenho não depende apenas do tema, do motivo ou da disposição para fazer. Há desenhos porque há imagens, imagens que num fluxo contínuo e em desordem, circulam fora e dentro da mente. Desenhar pode ser a maneira de compor tudo isto, de ensaiar a disparidade das causas e dos efeitos, de montar a variedade das impressões e das sensações, de configurar a desordem dos instrumentos, das formas, das figuras, das escalas e das posições. Desenhar equivale a construir um atlas, a traçar uma geografia de disposições materiais e modos de fazer, a registar um mapeamento de novas e inúmeras digressões, a relacionar diferenças e afinidades entre desenhos, entre imagens.
Um Atlas do desenho, tal como o desenho de um Atlas, é um dispositivo e um método de investigação, uma forma aberta ao entendimento dos seus próprios processos e imagens. O Atlas apresenta-se como uma composição que mostra, põe em conjunto, aponta uma direcção possível, um sentido do que pode ou pode não surgir no encontro imprevisível entre as imagens.]

10.50 – José Maria Lopes
Ato meu
[Partindo de alguns desenhos de Cyrillo Wolkmar Machado procura-se entender a expressão “ato meu” no seio das artes do Desenho, no séc. XVIII, em Portugal.]

11.10 – Mário Bismarck
Rasurar
[Se, por hipótese classificativa, considerarmos toda a produção desenhativa, tudo o que em todos os tempos e em todas as épocas foi feito em desenho, presumo que a maior categoria será a dos desenhos “falhados”. Não tendo acesso aos “caixotes do lixo” (para onde a maioria destes desenhos terá ido parar), temos acesso a algumas folhas onde os respectivos autores marcaram esse momento de decepção através da rasura.
A intenção é a de olhar os “outros desenhos”, os desenhos falhados, os rejeitados, os que não saíram do espaço de trabalho, os que não mereceram aparecer ao olhar do espectador. Trata-se de olhar os desenhos, não pelo seu aspecto formal de “obra”, mas pela sua vitalidade processual; não de consequência mas de inconsequência.
A partir do motto de Piranesi “Col sporcar si trova” se deambula por alguns desenhos…]

11.30 – Manuel Botelho.
Desenho e figuração da(s) identidade(s)
[A comunicação irá centrar-se em questões transversais à obra plástica de Manuel Botelho, em particular no modo como o desenho serviu de veículo para a revelação da identidade – pessoal / colectiva.]

11.50 – Discussão

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12.30 – Intervalo para almoço
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Tarde: Moderador – José Maria Lopes

14.30 – Artur Ramos
Desenhar e Retratar um acordo de palavras
[É analisado o vocabulário do desenho mais envolvido no acto de retratar, não só o rosto ou a cabeça como todo o corpo. Aponta-se a intersecção que identifica as palavras do desenho com o retrato e as palavras do retrato com o domínio do desenho. Recua-se no tempo para encontrar, principalmente na literatura artística do século XVIII, a origem e a utilização das palavras ou termos do desenho e do retrato. Procura-se concluir a extraordinária actualidade dessas palavras cujo significado se mantém válido para o retrato e fundamental para a didáctica do desenho de retrato.]

15.00 – Luís Lima
Natureza Morta
[Aquilo que conhecemos num sentido geral como género natureza morta, teve e tem outras designações ou termos; em outros tempos, em outras línguas. Se, por um lado, podemos ler esses termos num sentido englobante, como ‘semelhantes’, isto é, sabendo que se referem a uma temática que adquire várias formas e variações, por outro lado, os mesmos termos, suscitam subtilezas e variações de sentido. É isto que importa perceber.]

15.20 – Ricardo Leite
O Auto-retrato Nu no Desenho. Problemas de definição. A cara, o sexo e a pose
[O problema que levanto neste estudo não é apenas o da representação do corpo masculino, embora tenha, inevitavelmente, de o abordar. Partindo do princípio de que as formas de representação correspondem a formas de pensamento, o Nu e o Auto-Retrato inserem-se numa tradição cujos códigos foram traçados ao longo das épocas segundo determinados critérios. Sendo a cultura artística essencialmente masculina, os homens sempre representaram o seu corpo de acordo com o que desejavam ver no corpo masculino e o mesmo se aplica em relação ao corpo feminino. Quanto ao auto-retrato nu, o facto de ser um subgénero cujas origens históricas não recuarão a muito mais do que 100 anos, não terá a mesma carga associada à tradição. Façamos a distinção entre pintar e/ou desenhar o próprio corpo e usar o próprio corpo para fazer um nu. Como alguns autores já referiram, nu e despido têm diferentes conotações. A representação da cara, a pose e os órgãos genitais são elementos cuja articulação me parece fulcral para essa distinção.]

15.40 – Miguel Bandeira Duarte
O Esquisso e a marca gráfica.
[No esquisso do ambiente urbano, as marcas gráficas reúnem um conjunto de caraterísticas que permitem assinalar formas de objetos.
No âmbito do modo gráfico as caraterísticas das marcas assinalam a disposição psíquica e física do desenhador.
As marcas resultam das ações da observação, do gesto, do instrumento, de uma dimensão conceptual que condiciona o processo de tradução.
A produção regular de marcas devém num sistema de notação; um código estruturado pela intuição que a razão observa para a simplificação do processo gráfico.]

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16.00 – Intervalo para café
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16.20 – Paulo Luís Almeida
O Desenho Protocolar
[Em meados da década de sessenta, Günter Brus (Ardning, Austria, 1938) realizou um conjunto de desenhos paralelos à sua prática performativa, cujas designações, embora próximas, revelam intencionalidades distintas: oscilam entre a condição de programa e a de veículo de uma acção substituta, que o corpo não quer ou não pode executar sobre si próprio.
Aktionsskizze (esboço de ação) e ablauf einer aktion (decurso de uma ação) são expressões que traduzem a substituição da acção performativa pela imagem e acto do desenho, ativando um espaço protocolar onde a relação entre intenção de agir e resultados da ação é formalizada, ao mesmo tempo que incorpora a contingência, a impertinência e o erro como elementos estruturantes do processo performativo.
A partir destes nomes e do corpo de desenhos que em torno deles gravitam na obra de Brus, procura-se explorar, nas suas características, processos e intenções, o sentido protocolar que o desenho assume num contexto performativo.]

16.40 – Graciela Machado
Ao contrário
[Rebatendo os princípios da gravura, o que lhe é específico, o que são as suas etapas, os seus protocolos, que a constituem e definem a natureza e aparecem estampados nos altos e baixos. Que a corrompem, e percorrem e invariavelmente conduzem a uma atenção muito particular pelos detalhes do fazer. Pretende-se falar sobre estampas, provas chanfradas, impressões, pedras mordaçadas, sobre as manchas e acidentes, sobre as banalidades do que se constrói de uma outra forma e que se designa de gravura.]

17.00 – Teresa Carneiro
Espaços do desenho – entre os nomes e as Imagens do desenho

17.30 – Discussão

18.00 – Conclusões. Encerramento dos trabalhos.

Comissão Organizadora A&V: José Maria Lopes, Paulo Almeida, Pedro Maia, Sílvia Simões

Parceiros: ND-I2ADS / FAUP / EAUM / FBAUP