A Glimmer of Freedom. Tarrafal – silêncios, resistências e existências

Na origem deste Encontro encontra-se o estudo desenvolvido no âmbito da curadoria da exposição A Glimmer of Freedom  no espaço correspondente ao complexo prisional do Tarrafal (vide http://apexart.org/exhibitions/bruno.php). O conceito curatorial e os diversos processos criativos dos artistas participantes, em interação, desencadearam perspectivas de interpretação e interrogações que exigiam diálogos interdisciplinares. Surgiu, então, o projeto de realização de um Encontro sobre a Colónia Penal/Campo de Trabalho do Tarrafal (história, memória e significação das memórias) durante o período de permanência da exposição (8.04 – 6.05 de 2017), funcionando os dois eventos de forma complementar, com ligação em tempo real, via internet. Não foi possível a concretização, nessa altura. Contudo, a experiência do exercício de curadoria e da residência artística na cidade do Tarrafal, a comunicação e colaboração estabelecidas com as comunidades locais e a resposta dos diversos públicos às criações artísticas e questões implícitas sedimentaram o propósito.

A Glimmer of Freedom. Tarrafal – silêncios, resistências e existências pretende concretizar o diálogo entre várias áreas de investigação, a História, a História da Arte, as Artes Plásticas, a Sociologia, a Filosofia e a Literatura, contribuindo para o estudo desta instituição prisional e de outras da mesma natureza, bem como para a reflexão sobre as alterações de significado dos registos (quer factuais quer memórias individuais circunstanciais) nos vários contextos políticos e culturais.

Nesse sentido, as intervenções artísticas de Miguel Leal, Nelson Santos e Irineu Destourelles – que integram este Encontro –  têm inscritas abordagens a transformações e reelaborações de memórias. Tendo subjacente o distanciamento temporal em relação à exposição A Glimmer of Freedom, elas são já uma análise da experiência/vivência anterior e configurações de outras formas de compreensão.

De Colónia Penal do Tarrafal (1936-54) a Campo de Trabalho de Chão Bom (1961-74), a alteração das designações não iludiu o objetivo essencial do estabelecimento prisional: o afastamento e isolamento de pessoas consideradas agentes de consciencialização e, consequentemente, motores de potenciais divergências relativamente à ideologia e ao poder político em exercício – ”(…) separar os que pensavam daqueles que eles pensavam que não pensavam” como resumiu Luandino Vieira.

Campo de Concentração – de facto – foi instrumento de humilhação, desidentificação, demolição psicológica e física dos prisioneiros mas foi, também, um meio de dissuasão de outros, através do medo. No momento presente, este Encontro pretende ainda criar a oportunidade de discussão e de análise crítica dos instrumentos/meios de dissuasão do pensamento crítico e de coerção (sob diversas formas) que promovem a diluição da atenção e o exílio dos indivíduos em relação à realidade social e à consciência política e cívica, enfim, das modalidades de confinamentos com que convivemos, agora, direta e indiretamente.

DCTP – FLUP
9h30 Receção aos participantes
9h45 Sessão de abertura

10h00 Manuel Loff
O Tarrafal na memória: para que serve lembrar a opressão?

10h20 João Teixeira Lopes
A Experiência concentracionária

10h40 Maria João Couto
Entre memória e projeção

11h00 Irineu Destourelles
Contextualização da intervenção artística

11h20 Intervalo

11h40 Mario Loff
Pedra i Silenciu

12h00 Steven Rand
Challenging History- Artwashing, Reclamation, and Context

Debate

13h00 -14h30 Intervalo para o almoço

PLANETÁRIO DO PORTO
14h30 Miguel Leal
Contextualização da intervenção artística

14h50 Nuno Resende
Imagem e Imaginário: a projeção visual de Cabo Verde na primeira fotografia (1839-1914)

15h10 Hugo Barreira
Cabo Verde e o Campo Prisional do Tarrafal _ da Construção à desobstrução das imagens em movimento.

15H30 Marzia Bruno, Leonor Botelho e Pedro Alves
Tarrafal: World Heritage VS Creative Cities

15h50 Nelson Santos
Contextualização da intervenção artística

As intervenções artísticas no Planetário e na FLUP estarão acessíveis nos dias 19 e 20 de outubro.

Organização
DCTP-FLUP – Departamento de Ciências e Técnicas do Património da Faculdade de Letras da Universidade do Porto.
CITCEM – Centro de Investigação Transdisciplinar “Cultura Espaço e Memória”.

Comissão Cientifica
Marzia Bruno
Maria Leonor Barbosa Soares
Miguel Leal (i2ADS – Instituto de Investigação em Arte, Design e Sociedade, Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto)

Local Planetário do Porto
Data 19 a 20 de Outubro de 2017
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