Mário Moura: Contemporânea, Grande Revista Mensal

Conferência, SÁB 21 DE JANEIRO
Pequeno Auditório da Culturgest de Lisboa
18h30 · Entrada gratuita

Levantamento de senha de acesso 30 minutos antes de cada sessão, no limite dos lugares disponíveis. Máximo: 2 senhas por pessoa.

A ideia de partida para cada uma das seis conferências de Mário Moura que, iniciadas em 2011, decorrerão até abril deste ano, a um ritmo mensal, é escolher um objeto, um livro, que permita, por sua vez, apontar para outros objetos, outros livros, mas também para exposições, filosofias, políticas, etc. As escolhas, longe de obedecerem a determinada ordem, cronológica ou temática, assentam num critério difuso: cada livro, na sua forma física, na maneira como decide ocupar as suas páginas, no modo como hierarquiza os seus conteúdos, ou como as suas imagens se relacionam com o seu texto, implica não apenas uma autoria, mas também uma forma de edição e uma forma de se relacionar com a realidade, com a sociedade, com a política ou com a história.

Contemporânea, Grande Revista Mensal
O ponto de partida desta conversa será a revista Contemporânea, editada por José Pacheco entre 1922 e 1926, com as colaborações, nomeadamente, de Almada Negreiros e de Fernando Pessoa. Na época, foi tida como uma possível continuação da Orpheu, embora mais ambiciosa do ponto de vista gráfico, com ilustrações e fotografias organizadas em composições de página mais arriscadas, impressas sobre uma variedade de papéis diferentes.

Para um leitor atual, uma das curiosidades da Contemporânea é o seu modo de distribuição, que se fazia como um conjunto de folhas soltas, de páginas ainda por cortar, dentro de uma pasta que funcionava como capa provisória até o leitor as mandar encadernar, um processo partilhado por alguns dos livros portugueses graficamente mais interessantes, como Lisboa Cidade Triste e Alegre ou A Arquitetura Popular em Portugal, também eles distribuídos de modo semelhante, como fascículos colecionáveis cuja encadernação ficava a cargo do leitor.
Se atualmente vivemos numa economia em que a dívida desempenha um papel crucial, permitindo-nos comprar objetos que posteriormente pagamos em prestações, estas publicações são vestígios de uma época em que o endividamento era mal visto, pelo que uma das poucas maneiras de tornar acessíveis objetos caros consistia em parti-los aos pedaços, que eram vendidos em separado. Estas publicações permitem-nos assim refletir sobre as marcas que um determinado modelo de distribuição ou mesmo de moral económica deixa sobre uma publicação, sobre as suas opções editoriais e o seu aspeto gráfico, retirando lições que podem ser aplicadas à edição experimental contemporânea e aos seus modelos de produção e distribuição.

Próximas conferências
Sex 24 de fevereiro, Navio Vazio
Sex 23 de março, Boletim Informativo / Bulletins of the Serving Library
Sáb 21 de abril, Dot Dot Dot, Dexter Sinister

Mário Moura é crítico de design. Escreve regularmente para jornais, revistas e antologias. Mantém o blogue ressabiator.wordpress.com desde 2004. Publicou o livro Design em Tempos de Crise, editado pela Braço de Ferro em 2009. Leciona cadeiras de tipografia, história do design e autoria no design nas Faculdades de Belas-Artes das Universidades do Porto e de Lisboa. É membro do Núcleo de Arte e Intermedia do i2ADS.